A Vida É Feita de Ciclos. O Aquela Passagem Entra em um Outro Ciclo!

13 de August de 2012 | Por | 83 Comentários More

Pressionado por um lado pela vida profissional e pessoal do seu editor e pelo outro lado por uma linha editorial clara e pouco flexível, o Aquela Passagem vai passar por mudanças para continuar existindo.

O site passará a ser mais estático e voltado a quem procura uma informação mais densa que requer mais tempo para sua digestão, mas que também permite que você a desenvolva a seu favor. A velha filosofia do ensinar a pescar ao invés de dar o peixe na mão que tanto repito por aqui.

O site terá no futuro uma nova homepage voltada a quem visita o site pela primeira vez e outra interna, igual a atual, voltada para quem já conhece o site.

A frequência de postagem será reduzida e vou me dedicar também a reciclar textos antigos e organizá-los de uma forma mais lógica.

Vou continuar acompanhando e retuitando (redistribuindo) as notícias do mundo da aviação no perfil do Aquela Passagem no Twitter (você não precisa cadastrar-se para poder acessá-lo!), até porque gosto do tema e essa foi a razão do nascimento do Aquela Passagem (não nasceu para dar lucro ou me sustentar).

Acompanhando o Twitter ou assinando o RSS (por email ou agregador), você poderá ter contato com as futuras atualizações do site e dos comentários sem ter que ficar o visitando diariamente à procura de novidades.

Meus profundos e emocionados agradecimentos a você leitores que nesses 6 anos contribuíram para que eu viajasse mais e melhor, à Singapore Airlines por ter visualizado em mim um canal identificado com a empresa (que sempre admirei pela qualidade e respeito aos seus consumidores) e principalmente àqueles que amo e que toleravam minha dedicação a um hobby que acabou reduzindo o tempo disponível para eles.

Aqui termina a informação relevante para a maioria dos leitores. Abaixo faço algumas reflexões sobre a arte de manter um site interativo relacionado ao turismo, com visão de consumidor (não de vendedor) e com linha editorial clara, onde a publicidade não é a razão para sua existência.

Há 6 anos, nasceu o Aquela Passagem dentro de uma onda de sites/blogs que vinha como uma forma de resposta aos textos pasteurizados produzidos de acordo com a demanda do mercado publicitário que inundavam a grande mídia e como uma forma alternativa de democratizar o acesso a informações que muitos profissionais do setor guardavam debaixo do braço para manter uma certa dependência dos consumidores de seus serviços.

Começamos falando de bandas tarifárias (quando a maioria nem sabia da sua existência), passamos a falar de programas de fidelidade, aeroportos, bagagens, direitos dos consumidores e cartões de crédito… A grande maioria desses temas fizeram tanto sucesso que depois foram exaustivamente abordados por revistas, jornais e outros sites, coisa que era rara antes do Aquela Passagem.

Contamos com contribuições valiosíssimas do advogado Ernesto Lippmann, do Guilherme “Hotmar” (hoje editor do Valores Reais), do Tony Galvéz e da Aline Lima que ajudaram com seus conhecimentos e experiências a elevar o nível deste espaço. Mas sempre foram os comentários dos leitores que elevavam a qualidade de todas as matérias aqui publicadas. Isso sem contar com uma rede de amigos que sempre deram apoio a esse espaço.

Veio um relativo sucesso e o site tomou uma dimensão que eu não esperava. Escrevi e contribui com várias matérias de revistas e jornais de grande circulação sobre os temas tratados no Aquela Passagem. Cheguei a ter um ritmo de postagem quase diário e passei várias sextas à noite postando as últimas promoções do final de semana.

Cheguei a me assustar ao ler textos em outros sites usando termos, construções e alertas bem típicos do Aquela Passagem. Um inegável sinal do impacto do que eu escrevia sobre outros sites, mesmo que eles não gostassem do Aquela Passagem, indicassem ou reconhecessem o fato de se “inspirar nele”.

Nunca precisei de selo ou marca para dar mais credibilidade ao que eu escrevia (olha que ninguém me conhecia quando comecei a escrever o Aquela Passagem!) ou ter que me associar a um grupo para ser identificado como alguém ético com meus leitores (isso está na alma do Aquela Passagem), mesmo porque o leitor típico deste site/blog identifica isso com facilidade. Conheci pessoas muito interessantes (alguns viraram amigos reais e um outro em especial tornou-se mais que isso, virou parceiro) e absorvi muita informação nos comentários dados por pessoas em sua maioria estavam interessadas em trocar experiências para viajar mais e melhor. A construção coletiva do conhecimento tornava a função de guru ou oráculo algo dispensável dentro do Aquela Passagem.

Por outro lado, o site nasceu em um momento em que tinha uma certa sobra de tempo. Passados 6 anos, a minha vida mudou, minhas decisões pessoais passaram a ter impacto não só em mim, mas também em pessoas que de mim dependem ou com as quais tenho ou construí uma relação de parceria afetiva/familiar. Não sou recém-formado, muito menos aposentado, não trabalho profissionalmente com turismo, não vivo de renda e não tenho, e não gostaria de ter, um filho ou sócio que deseje reinventar o Aquela Passagem focando exclusivamente na monetização da atividade (até gostaria de fazer renda com o meu site, mas como uma consequência e não como razão de sua existência).

99% de todas as experiências relatadas no site foram custeadas com orçamento próprio (a duas que contaram com apoio, uma na forma de um desconto  e outra na forma de um convite foram claramente identificadas como tal), o que sempre garantiu minha isenção de opinião. Só não sou isento quando falo da Singapore Airlines, pois tenho uma relação afetiva com a cia aérea que considero a melhor do mundo, o que nunca escondi de nenhum leitor do site.

Tenho uma profissão que hoje consome pelo menos 44h por semana do meu tempo, que cobra dedicação (apesar dela viver uma fase complicada) e minha hora técnica é relativamente cara. Até tentei ver se o Aquela Passagem poderia crescer dentro de um projeto auto-sustentável, mas não fui bem sucedido. Dentre outras razões para isso está o fato de que não consigo abdicar de algumas condutas em prol do mercado (por exemplo, não faço post patrocinado, não misturo publicidade com os textos que produzo induzindo conclusões nos leitores ou pego viagens de cunho puramente comercial e as revisto como se fosse um experiência pessoal de consumidor independente). O site está associado demais a minha pessoa para me dar ao luxo de fazer algo que não faço na minha vida cotidiana. Acho que me dou esse direito até porque tenho uma outra fonte principal de renda.

O perfil crítico do espaço também não ajuda muito, já que acaba selecionando empresas que conseguem ver na crítica um caminho de evolução, que não tem medo de serem avaliadas por consumidores de verdade e que tem na prestação do melhor serviço possível o seu norte. Isso afasta aquelas que querem apenas ver sua mensagem publicitária reproduzida tal como foi pensada pelo pessoal de marketing.

Lidar com o ser humano também complicado. Lido com isso diariamente, mas na Internet isso é mais complicado ainda, já que a ética “pessoal” (hoje parece que cada um tem a sua, o que não quer dizer que aceito que os outros façam o mesmo que eu faço) fica mais exuberante em parte por um certo anonimato que ela proporciona. Enquanto você oferece informação sem cobrar, você é cobrado para dar informação que a pessoa quer e acha que merece e na hora que ela deseja (o mais rápido possível!). Ter que lidar com o dono da verdade, com o pavão, com o reciclador de conteúdo, com o garimpeiro de informação nos comentários que depois se apresenta como produtor da mesma e com o que quer pegar carona apenas para divulgar o seu espaço ou ampliar seu negócio de milhas não é fácil. Tentei manter um ambiente legal para que a maioria pudesse continuar trocando experiências como é o objetivo do espaço, mas é um trabalho desgastante e desanimador. Ter que moderar adultos então, não é nada gratificante.

O prazer de escrever foi sumindo. Um dia me perguntei se era certo estar angustiado em meio a uma viagem pessoal por não ter escrito algo no Aquela Passagem. Como a maioria dos leitores não passo o dia conectado na Internet ou no twitter, não estando assim disponível para postas as últimas novidades assim que elas surgem. Agora que meu tempo ficou ainda mais escasso, tive a certeza que preciso regar com mais amor e carinho os frutos de uma relação de amor e carinho e dar mais atenção a quem sempre se dedicou a mim.

Eu mudei, os sites/blogs mudaram e muitos se transformaram em um ambiente muito próximo aos das antigas editorias de jornais e revistas que tanto criticamos no passado, só que com uma capa de interação pessoal muitas vezes fake na forma, no conteúdo e no interesse.

Depois de um tempo, entendi que as editorias de turismo, que muitas vezes sofrem com alta rotatividade e estão cheias de recém-formados, não atuam assim porque as pessoas que as compõe tem falta de ética ou caráter ou não gostam de viajar e só estão lá para garantir o ganha pão. Os jornais e revistam tem que sobreviver e para isso produzem o que e como os anunciantes desejam. Muitos blogs/sites foram se moldando a esse mesmo mercado no maior instinto de sobrevivência (legítimo) e elegeram que modelos de atuação deveriam ser seguidos por serem mais lucrativos. O problema é que muitos ainda acreditam que o que fazem pode se diferenciar e se destacar do que a grande mídia faz e publica com um orçamento e recursos infinitamente superiores só porque mantém uma aura de interatividade e experiência pessoal. Muitos publicitários viram nessa necessidade de sobrevivência e falta de recursos próprios dos blogs/sites um campo fértil para montar parcerias e dirigir as pautas dos bogs/sites.

Hoje, só me pergunto se essas transformações são culpa dos “maquiavélicos publicitários” que sabem o que querem e como querem ou dos “blogueiros inescrupulosos” que querem apenas sobreviver do seu trabalho (e ter prazer nele) e para isso tem que fazer o que os publicitários querem ou da maior parte do próprio público leitor que lê, gosta, divulga e apoia ações comerciais muitas vezes travestidas de experiências. Fico com a impressão de que é o grande público que dita o show e o que quer assistir na TV como na Internet… Então ele vai receber o que gosta.

Eu não consigo produzir com prazer (ele conta mais que o dinheiro quando se pode optar) diariamente para esse grande público, consigo produzir apenas para um nicho que me tem sido fiel até hoje. Por isso, meu mais profundo agradecimento e respeito a vocês que me seguem há cerca de 6 anos!

O Aquela Passagem não acaba. Vamos continuar tendo matérias interessantes, mas também ele não será o mesmo. Eu não sumo da Internet, já que a combinação de turismo, Internet e tecnologia sempre me fascinaram!

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Category: O Blog e Amigos

Comentários (83)

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  1. Rodrigo Purisch says:

    Fê,
    Parabéns pelo filho! Sinto falta do blog, mas não me arrependo, já que no momento ando curtindo muito quem sempre cuidou de mim ou quem nasceu de uma relação muito especial.
    Um abraço

    Responder

  2. thais fernandes says:

    Felicidades! Aquela Passagem é ótimo e continuará a ser fonte de informação, ainda que menos instantânea.

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  3. WARNER says:

    Parabéns pela corajosa decisão! Num ambiente tão competitivo, infelizmente não percebemos o que ou quem realmente é importante em nossas vidas. Agradeço por todas as informações que contribuíram significativamente em minhas viagens. E como todos disseram… uma pena para quem sempre anseia de informações em ritmo acelerado. Obrigado, estaremos acompanhando e se possível contribuindo com os próximos posts.

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