Bagagens: Qual a Franquia em Vôos Interline? Já Ouviu Falar na Resolução IATA 302?

5 de February de 2012 | Por | 26 Comentários More

A Resolução 302 da IATA, em vigor desde abril de 2011, veio normatizar a franquia de bagagens em passagens que envolvem vôos interline e acabar com as informações desencontradas que só prejudicavam o consumidor.

Mas antes de falar nela, vamos esclarecer alguns pontos:

IATA

Por mais que muita gente encare a International Air Transport Association – IATA como um órgão independente e apolítico, ele é na verdade um sindicato patronal. Criado inicialmente para ordenar e dividir o tráfego aéreo entre as grandes do pedaço (evitando concorrência predatória), ele cresceu e hoje congrega cerca de 240 cias aéreas que respondem por cerca de 84% do trafego aéreo mundial.

Apesar de hoje não conseguir mais impedir a concorrência entre seus associados, ela continua sendo um órgão que normatiza as relações entre as cias aéreas e as representa nos grandes órgãos mundiais.

Assim, as resoluções IATA só tem valor de norma para as cias aéreas que dela fazem parte. Vale lembrar que muitas low cost pelo mundo não fazem parte da IATA e que então elas não têm obrigação de seguir suas resoluções.

Vôos Interline

Os acordos interline permitem que uma cia possa vender alguns trechos de outra cia aérea em conjunto com seus vôos permitindo assim que seus consumidores possam atingir um destino para o qual ela não voa. Outra vantagem dos acordos interline é que o consumidor poderá realizar apenas um check in de sua bagagem no início da viagem, poupando-o de outro check in no momento da conexão.

Esses acordos podem ser realizados inclusive entre cias aéreas concorrentes ou participantes de alianças diferentes e normalmente não garantem o acúmulo de milhas no programa de fidelidade da cia emissora da passagem em todo o trajeto ou o reconhecimento do status elite no programa da cia emissora na cia aérea com a qual ela tem o acordo interline.

Apesar da imprensa festejar muito esses acordos interline, eles têm mais vantagens para as cias aéreas do que para seus consumidores ou para os associados de seus programas de fidelidade. Não podemos confundir esses acordos como os acordos de code share que tem mais benefícios para os consumidores e muitas vezes envolvem algum tipo de acordo também entre os programas de fidelidade das cias aéreas.

Um Exemplo

Em novembro de 2011, eu comprei uma passagem Rio de Janeiro / Frankfurt / Cingapura / Hong Kong / Londres / São Paulo / Belo Horizonte usando uma tarifa Tam.

Como a maioria sabe, a Tam não voa para Cingapura ou Hong Kong. Mas como então ela conseguiu me vender passagens para todos esses vôos? Usando acordos interline com outras cias que operam vôos a partir de cidades atendidas por ela no exterior.

Como ela voa para Frankfurt, ela me oferecia como opções para seguir diretamente de Frankfurt para Cingapura a Lufthansa ou a Singapore. Optei pela Lufthansa para poder voar no A380 dela. Já no trecho de volta de Hong Kong para Londres, de onde partiam os vôos da Tam, me foi oferecido a opção de voar com a Qantas ou Virgin ou Cathay. Optei pela última para poder voar com mais uma cia tida como cinco estrelas (me decepcionei, mas isso será tema de outro post).

Apesar da passagem ser emitida pela Tam, as milhas voadas em cias que não tivessem acordo de milhas com ela não poderiam ser acumuladas no Fidelidade Tam. Neste caso, as milhas que voei na Cathay não poderiam ser acumuladas no Fidelidade, como também não puderam ser acumuladas no programa Star Alliance aonde tento concentrar minhas milhas. Optei por acumular em um outro programa da Oneworld, aliança da qual a Cathay faz parte.

Resolução IATA 302

Mas qual seria então a franquia de bagagem que teria direito nos meus vôos? A franquia de um vôo emitido no Brasil com direção a Europa na Tam é de duas peças de até 32 kg, mas a franquia de um vôo Lufhtansa ligando a Alemanha a Cingapura ou da Cathay ligando Hong Kong a Londres ou da Singapore ligando Cingapura a Hong Kong é sensivelmente inferior (algumas são de apenas 20kg!).

Aqui é que entra a Resolução IATA 302 que pode ser lida na integra neste link. Nela fica determinado que a franquia a ser seguida pelos vôos que envolvem trechos interline será aquela usada pela primeira cia aérea que voar o primeiro trecho internacional dentro de uma mesma zona ou área IATA (quando os vôos se limitarem a apenas uma área IATA) ou da cia aérea que voar o primeiro trecho entre duas zonas ou áreas IATA (quando a passagem envolver vôos entre diferentes áreas ou zonas IATA).

A IATA divide o mundo em 3 zonas ou áreas:

Área 1 (Américas do Norte, Central, do Sul e Caribe, exceto Guadeloupe e Martinica)

Área 2 (Europa, Oriente Médio e África)

Área 3 (Extremo Oriente, Austrália, Nova Zelândia e Ilhas do Pacífico).

Seguindo o exemplo que estamos usando da minha passagem, a franquia Tam seria então utilizada em todos os vôos, já que é ela a primeira cia a cruzar duas áreas IATA (da área 1 para área 2).

Essa é a grande vantagem de adquirir uma passagem envolvendo acordos interline do que emitir duas passagens isoladas (uma do Brasil para a Europa e outra da Europa para a Ásia) mesmo que o preço fosse igual ou levemente inferior.

É importante frisar que minha passagem por ser interline, era regida por uma regra tarifária somente, a regra tarifária da Tam e que se tivesse comprado as passagens isoladas, elas estariam regidas por regras tarifárias diferentes.

Alerta

Algumas cias aéreas tem essa resolução bem exposta em seus sites, porém outras não e alguns de seus funcionários também não a domina de bate pronto. O mesmo acontece com alguns agentes de turismo, como aconteceu com a agência internacional aonde comprei a minha passagem.

Assim, se você vai voar em um vôo interline, não custa levar uma cópia da resolução ou o nome dela no caso de algum desavisado não a reconhecê-la de imediato. Isso principalmente em cias aéreas que não voam para o Brasil e desconhecem as grandes franquias vigentes em nosso mercado. Mas isso só vale para cias aéreas que são associadas a IATA como dissemos a cima e que são a grande maioria das cias aéreas tradicionais.
Fotos: Mag3737
Sob licensa
Creative Commons

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Category: Bagagem

Comentários (26)

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  1. Rodrigo Purisch says:

    Bruno,
    Se você comprou uma tarifa Brasil/Japão na ANA, você sim tem direito as 2 de 32kg. O problema é que você pode ter comprado uma Brasil/LAX e outra LAX/Japão emitidas em conjunto pela ANA. Tinha que ver as tarifas.

    Dá menos problema quando a cia A tem code share com a cia B que vendeu a passagem.

    O problema é que tem muito agente que ignora as regras e ai você tem que levá-las com você para enfrentar o agente de aeroporto. Esse tipo de passagem é muito menos comum e tem muito agente que só sabe arroz com feijão e tem preguiça de perguntar para o supervisor.

    Responder

  2. Rosania says:

    Olá Rodrigo, tudo bom?

    Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo post.

    Irei para a cidade de Auckland na Nova Zelândia. O voo sairá de Guarulhos pela Lan Chile para fazer conexão em Santiago – 04 horas e 20 minutos, e de lá para o destino final pela Qantas Airways, tudo operado pela LATAM AIRLINES GROUP S.A. 13 horas e 10 minutos.

    Minha dúvida é: Neste caso como utilizar a resolução IATA, ou seja, valendo duas malas de 32 quilos?

    Segue o Itinerário que será realizado para maiores exclarecimentos. Obrigada!

    VÔOS : JJTAM LINHAS AEREAS S.A.  8072
    De : SAO PAULO GUARULH, BRAZIL (GRU)
    Partindo às : 4:35pmPara : SANTIAGO SCL, CHILE (SCL)
    Chegando às : 7:55pm
    Classe : EconômicaTempo de vôo: 04hr(s):20min(s)
    Status : Confirmado
    Confirmação : 2ATZGUMais detalhesVerifique os horários dos vôos antes da partidaQua, Abr 09, 2014

    VÔOS : QFQANTAS AIRWAYS  0322
    Operado por : LATAM AIRLINES GROUP S.A
    De : SANTIAGO SCL, CHILE (SCL)
    Partindo às : 11:20pm Qua, Abr 9
    Para : AUCKLAND, NEW ZEALAND (AKL)
    Chegando às : 4:30am Sex, Abr 11
    Classe : Econômica
    Tempo de vôo: 13hr(s):10min(s)Status : 
    Confirmado
    Confirmação : 2ATZGUMais detalhesVerifique os horários dos vôos antes da partida

    Responder

    Rodrigo Purisch respondeu:

    Você não deve ter problemas caso tenha comprado uma tarifa GRU/AKL ( e não uma GRU/SCL + uma SCL/AKL), pois o vôo da Qantas na verdade é da Lan e a Lan é dona da Tam. Vai valer sua franquia de saída do Brasil para AKL. Santiago é apenas conexão.

    Responder

    Rosania respondeu:

    Muito obrigada!

    Responder

  3. PAULA S says:

    Oi Rodrigo,

    Estou com uma dúvida. Procurei outros posts, mas não encontrei nada sobre o tema Franquia de Bagagens – smiles ou companhias aéreas parceiras.

    Quero emitir passagens internacionais pelo smiles com múltiplos trechos (Vou por um país da Europa e volto por outro). Já verifiquei que, de forma on-line, tenho que emitir separado a ida e a volta. O trecho de ida é KLM e o de volta é Air France.

    Alguém sabe dizer, se nesse caso, a franquia de bagagem de 2×32 será honrada?

    Help!

    Responder

    Rodrigo Purisch respondeu:

    Vai seguir as regras da cia na qual a passagem foi emitida. Assimm pesquise na KLM e Air France se elas fazem diferença entre uma passagem de e para o Brasil. A maioria não faz diferença, mas vale conferir. A Tam faz diferença, como um exemplo negativo.

    Responder

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