Concessão à Iniciativa Privada de Nossos Aeroportos: Motivo Para Comemorar?

11 de May de 2011 | Por | 9 Comentários More

Será que a anunciada concessão à iniciativa privada de nossos maiores aeroportos por si só é um motivo para comemorar?

Infelizmente, isoladamente não é algo para se comemorar!

Todos nós estamos cansados da incompetência da Infraero na gestão de nossos aeroportos, mas não podemos esquecer que seus principais dirigentes foram escolhidos a dedo (ou melhor, por critérios políticos) por nossos governantes.

Além de gestores fracos, a Infraero sofreu com a falta de um plano de desenvolvimento para nossa infra-estrutura, um plano que muitas vezes ultrapassa a competência da mesma.

Nos últimos minutos do segundo tempo, nosso governo movido por interesses que não me são bem claros ainda, decidiu colocar em prática algo que há muito tempo tem sido colocado como um alternativa dentro de um complexo planejamento para nosso sistema de infra-estrutura.

Não é a iniciativa privada que vai transformar o que temos no que queremos e sim um plano que deixe claro os nortes do que queremos de forma que a iniciativa privada possa se orientar e ser limitada por esses valores e metas. Gestão privada não é sinônimo de sucesso e nem pública é de fracasso. A falta de nortes, limites e fiscalização são sim sinônimos de fracasso.

O que nos falta é decidir o que queremos e como queremos que seja realizado. Nosso passado de privatização baseado apenas na idéia de que a iniciativa privada faz melhor mostrou que ela fez melhor, mas muitas vezes também cobrou muito mais pelos seus serviços.

Na minha forma de ver, o que não é uma verdade absoluta e nem um consenso, aeroportos são muito mais que um local onde pousam e decolam aviões. Mas como eu vejo os aeroportos? Algo semelhante ao que Changi é. Os principais pontos são:

Cartões de Visita

Aeroportos são um dos principais cartões de visita de uma cidade, estado, região ou país. Devem estar conectados com as políticas de turismo e serem operados com a visão real de sua importância dentro do contexto turístico.

Chegar, sair e permanecer em um aeroporto sem estresse e ao mesmo tempo ter contato com a cultura local ajuda muito para que um turista (seja a negócios ou a lazer) faça uma avaliação positiva de sua viagem.

Serviços de Bom Nível e Preços Justos

Um aeroporto deve oferecer boas opções de serviços para quem o visita (não só para quem voa a partir dele), com qualidade e preços compatíveis com os cobrados naquele destino. Opções para todos os bolsos e gostos.

Nada de fazer lucro às custas da exploração de seus usuários, isso é coisa de países ultrapassados e de mentalidade pequena.

Vale lembra ainda que o transporte aéreo está sendo democratizado em nosso país e que tende a se tornar uma das principais opções de transporte.

Segurança e Conforto

Os espaços deve ser ainda confortáveis termicamente, passando a sensação de segurança e com assentos confortáveis.

Agir como um fast food (cores fortes, assentos duros, ambiente pouco aconchegante) que tem interesse em colocar uma ambiente que induza a rotatividade não vai fazer o passageiro sair voando mais rápido daquele aeroporto e sim vai conseguir apenas que se fale mal dele.

Saber aproveitar seus espaços nobres, como espaços que permitem a visualização do pátio de aeronaves, é um grande atrativo tanto para quem voa a partir dele como para quem vai lá levar alguém ou mesmo passear.

Conexão com Outras Formas de Transporte

Não existe aeroporto de sucesso onde se gasta mais para chegar nele do que para voar a partir dele. É imperativo que os aeroportos ofereçam opções de transporte para todos os tipos de passageiros (e de bolsos) que os utilizam e durante todo seu horário de funcionamento.

Ônibus e táxis a preços justos e se possível opções de transporte de massa como trens devem estar incluídas no planejamento da operação dos aeroportos. Chega de feudos favorecendo a poucas empresas ou cooperativas que querem ganhar muito fazendo pouco. Infelizmente, como em todo mundo civilizado, vão ter que ter um lucro pequeno unitário multiplicado pelo volume realizado.

Além disso, devem estar conectados às demais modalidades de transporte oferecidas na região, já que muitos passageiros não terão a principal cidade servida pelo aeroporto como destino final.

Devemos lembrar que aeroportos não são um fim em si mesmos e estão dentro de um sistema de transporte mais amplo.

Assim, não comemoro esse anúncio de concessão, já que não vi nenhuma consulta aos notáveis ou discussão ampla (isso não deve ser algo restrito a um governo apenas) sobre o modelo a ser implantado,  não li nada sobre como seria o planejamento futuro para os mesmos  e principalmente como os usuários seriam beneficiados. Só ouço que a Copa vem aí, que as coisas não andaram e que agora é hora de fazer tudo de qualquer jeito.

O problema é quem paga a conta sou eu e que eu fico com o ônus após a Copa passar distribuindo lucros para quem souber aproveitar as “oportunidades” dadas por um país que troca planejamento por conchavos político-econômicos.

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Category: Aeroportos

Comentários (9)

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  1. jorge mendes says:

    Adorei, só não concordo com a possibilidade de que a gestão pública possa administrar alguma coisa melhor que a privada. NUNCA no BRASIL.Sou funcionário público e nossa classe trabalha pouco, desperdiça, tem folgas e feriados especiais (que meus funcionários na parte privada apenas sonham), em muitos cargos ganha mais que o mercado, e…alguns ainda aproveitam as oportunidades (e são muitas já que o país não gosta de fiscalização, regras, nem controle), dizia, aproveita para roubar!!! Aumentando a ingerência do poder público no país, aumentando os benefícios sociais…será que o país aguenta quantos anos? Não existe riqueza que suporte o descalabro!!!!

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  2. Josue says:

    Rodrigo, parabéns pelo post, concordo contigo.
    Porém sou receoso quanto à privatização: semana passada visitei o Parque Nacional do Iguaçú: foi dada uma concessão e o resultado foi o parque mais bonito, limpo e organizado mas: ingresso caríssimo, preços dos alimentos e lembranças altíssimos e tiraram todos os bebedouros, resultado R$ 3,50 por uma garrafinha de água que custa menos de R$ 1.
    Se com a Infrazero os preços nos aeroportos já estão em Marte e conhecendo a ganância do empresariado brasileiro acredito que na época da Copa um simples café no aeroporto deva custar uns 20 reais, a taxa de embarque passará facilmente dos R$ 50 (ou 200 internacional), provavelmente cobrarão pelo uso dos banheiros, dos carrinhos, das esteiras, do check-in etc.
    O turismo no Brasil está na Pré-História mas isso é assunto para outro post… o que vocês acham?

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  3. Tina says:

    Parabens pelo post, faço sua as minhas palavras ( se me permite?!…rsrsr).
    Eu viajo bastante e posso dizer com certeza que o Brasil não tem condiçōes de sediar copa nem olimpiadas! Em Guarulhos as filas para entrar no embarque domestico e internacional são imensas, e se não chegar mais cedo do que o horário previsto, e se não ficar atento a chamada do funcionário da cia aérea que fica gritando o numero do voo que esta embarcando ((percorrendo a fila na busca dos seus passageiro),, se perde a viagem e ainda arruma chateação!

    Tem razão a jornalista Sônia Bridi, no livro LAOWAI ( onde escreve sobre os 2 anos que viveu na China), onde dizia que se conhece um país pelo aeroporto. Quando se entra num banheiro dos aeroportos do Japan ou Australia, e depois num de Guarulhos…..realmente se pode ter certeza que o Brasil ainda precisa de muita vontade política para mudar alguma coisa……e isso não necessariamente tem a ver com privatizaçao!
    Sou funcionária pública e sempre me orgulhei dos excelentes órgãos nos quais trabalhei, vide ECT empresa de maior confiabilidade pública do país!
    Aproveito para agradecer as ofertas que este blog sempre traz, inclusive são com elas que sempre viajo baratinho, baratinho….rsrsr
    Rodrigo, voce faz excelente trabalho de ultilidade pública – Parabéns!

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  4. Carlos says:

    Sempre fui decididamente a favor da privatização.

    Os exemplos que temos de governo administrando são (na maioria das vezes) caóticos. Lembrem da Vale do Rio Doce e das telefônicas.

    Mas os aeroportos (comento apenas do Rio de Janeiro ) foram pessimamente planejados, deixados de lado quando houve um mínimo de planejamento da cidade.

    É incompreensível que não haja transporte de boa qualidade para nenhum deles. Metrô passa longe do Santos Dummont. GIG nem pensar. Ambos os estacionamentos são caríssimos. Lembram custo de estacionar em shopping centers, agora abusivos.

    Ônbus são ruins e pouco oferecem em termos de espaço para bagagem.

    No GIG é comum ver “garotos” com aquelas caixinhas de engraxate sem, obviamente, engraxar nada. Apenas aguardando a possibilidade de furtar alguma coisa e correr. Ao lado de policiais que nada fazem. Gera insegurança.

    Nessa cidade, a Rodoviária Novo Rio, a Estação das Barcas, as vias férreas, o Metrô e os aeroportos são entidades “independentes”, não se comunicam.

    Sei que a privatização NÃO poderá resolver isso.

    Mas, quem sabe, ajudar a acabar com previlégios como a administração das lojas “free-shopping”, onde os preços são sempre altos em comparação com as equivalentes nos Estados Unidos. E acabar com aquele monte de gente aparentemente desocupada percorrendo as calçadas e os corredores internos do GIG procurando por ….. ?

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  5. Henrique says:

    Rodrigo, você foi oportuno na sua fala. Meus parabéns!

    O que nos passa despercebido muitas vezes é o estabelecimento de uma campanha perversa contra tudo o que está sob gestão pública (vide o SUS, para o qual trabalho e luto).

    É uma pena e ingenuidade nossa achar que a concessão dos aeroportos, pura e simplesmente, nos levará ao paraíso.

    Felizmente, temos o Aquela Passagem para nos dizer que o “x” da questão foi o abandono do PLANEJAMENTO. Sem ele, política e gestão são meros figurantes do processo…não têm qualquer utilidade.

    Um abraço

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  6. RosaBsb says:

    “Gestão privada não é sinônimo de sucesso e nem pública é de fracasso.”
    Perfeito, Rodrigo. Quando algo no público vai mal (por diversos motivos, sendo um dos principais a corrupção), na outra ponta está o privado, funciona como uma parceria. Não dá para falar de um ou de outro, eles andam juntos em todas as mazelas, é difícl dizer quem é o pior.
    Jorge Mendes, eu sou funcionária pública e minha classe trabalha muito, não desperdiça, não tem folgas e feriados especiais, não ganha mais que o mercado, e… NUNCA aproveita qualquer oportunidade para roubar!!

    Responder

  7. Quanto a concessão precisamos saber como será esse processo. A Infraero vai disponibilizar quais aeroportos a iniciativa privada? Os deficitários ou os lucrativos? e assim vai….

    Em relação ao comentário do Jorge Mendes e RosaBsb sobre a classe de funcionários públicos os dois generalizaram.

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  8. RosaBsb says:

    Wilian, eu deveria ter falado só por mim, é bem comprometedor fazer qualquer afirmação por outra pessoa, que dirá por uma classe de pessoas. É melhor refazer na 1ª pessoa do singular: Eu sou funcionária pública e eu trabalho muito, não desperdiço, não tenho folgas e feriados especiais, não ganho mais que o mercado, e… NUNCA aproveito qualquer oportunidade para roubar!! Ok?

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  9. RosaBsb,

    como diria o meu irmão ” Aí é bonito”.

    Se todos tivessem a sua conduta, o Brasil seria melhor!

    Abraço!

    Responder

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