Dicas Básicas Para Não Se Frustrar com Seu(s) Programa(s) de Fidelidade(s)

23 de April de 2012 | Por | 48 Comentários More

O Aquela Passagem tem mais de 5 anos e durante esse tempo tentamos desmistificar e tornar mais fácil o entendimento das linhas gerais dos programas de fidelidade. Até por isso, desde o início deste espaço demos preferência ao termo fidelidade ao invés de milhagem (mais conhecido e usado), já que o primeiro já evidência uma das premissas para se dar bem neles, ser fiel, enquanto o segundo limita o entendimento deles, já que nem todos são baseados em milhas.

Acho que temos sido bem sucedidos nessa iniciativa. Como eu, muitos leitores aprenderam a tirar melhor proveito de seus programas nesse aprendizado conjunto.

 Quem nos acompanha há mais tempo, já leu vários textos aqui (se não leu, aproveite para lê-los) sobre esse tema, tais como:

Um texto de 2007 sobre a história desse tipo de programa,

Um alerta de 2009 mostrando que cada milha/ponto/crédito tem um custo e um valor,

Um outro alerta de que programas de fidelidade não são para todo mundo,

Outro mostrando que eles são uma enorme fonte de renda para as cias aéreas,

Vários textos sobre a estratégia (nem sempre é válida) de pagar mais para acumular milhas,

Uma pesquisa de como nossos leitores avaliam seus programas de fidelidade

Dicas em 2010 facilitando a busca de uma passagem em parceiros e depois melhor desenvolvida em outro texto recente

Várias dicas de promoções envolvendo créditos desses programas

Até um bê-á-bá para quem está começando no mundo desses programas.

Vários dessas informações foram repetidas em textos que acabei escrevendo para revista Viagem e Turismo em 2007 e em matérias aonde acabei colaborando como por exemplo as publicadas no Estadão, O Globo, Portal IG, UOL

Independente do veículo, eu sempre mantive meu alerta, hoje quase um mantra:

Não olhem sua conta do programa de fidelidade como uma conta bancária de longo prazo, na qual você deposita seus sonhos e tem a garantia de que os mesmos vão se realizar no momento em que você desejar. Use suas milhas sempre que puder, obviamente usando os ensinamentos contidos aqui no site/blog. Tudo pode acontecer, sua cia pode falir, pode ser vendida para outro, aumentar o número de milhas necessárias para aquela viagem, deixar de voar para aquele destino ou você pode ter que brigar para usar suas milhas da forma que as regras do programa permitiam………

Eu gosto do tema, mas nunca fui escravo dele. Aprendi as regras para poder jogar o jogo das milhas/pontos/Km e me beneficiar dele. Esse tempo que gastei estudando o tema permitiu-me fazer algumas boas viagens pagando bem menos por elas (sim, as milhas são créditos que você acumula! Não tem nada de graça!): desde uma viagem a Bogotá com milhas Smiles associadas a uma passagem promocional para os EUA (publicada em 2008 quando ainda existiam as bandas tarifárias), passando por uma emitida usando uma promoção Itaucard/LanPass até uma última ao Havaí usando uma promoção 2×1 do Victoria da Tap.

Olha, eu não vivo deste site, ou seja, não posso viajar a qualquer hora! Minha receita? Entender as regras do jogo, ficar antenado com as promoções, usar meu cartão de crédito ao meu favor (e ao mesmo tempo pagar o mínimo possível de anuidade), ter persistência na hora da emissão e um pouco de flexibilidade (optando por voar fora dos picos).  Uma pitada de sorte também ajuda!

Na semana passada, o leitor Bruno me passou um link pelo Twitter de um artigo escrito por um jornalista de turismo respeitado, o tarimbado e esclarecido Seth Kugel, aonde ele defendia o fim dos programas de fidelidade como uma receita mágica para ajudar a baixar as tarifas das passagens para todos, podendo até refletir na queda de preços de outros produtos de consumo.

No geral, eu não concordo com a matéria. Ficou parecendo que o texto nasceu de algo mais emocional do que racional. Nasceu de uma grande frustração dele com seus programas, em parte por ignorar regras básicas que ele mesmo depois cita no texto (como a principal de ser fiel!) e por, mesmo que inconscientemente, acreditar em falsas promessas desses programas. Na minha opinião, o fim dos programas de fidelidade defendida por ele, só garante uma coisa: o fim das frustrações geradas por eles em alguns consumidores que tem perfil semelhante ao dele!

Certo é que como Seth, existem muitas outras pessoas não querem ou não tem tempo para entender as regras do jogo (criado não para eles, mas para fidelizar aqueles que não compram por preço e sim por qualidade e flexibilidade pagando mais pelas suas passagem – sendo essas que mantém as cias aéreas lucrativas) ou que baseiam suas decisões em buscas rápidas na internet, sem prestar muita atenção na qualidade da informação que coletam. Essas pessoas devem esquecer os programas de fidelidade. Para eles, esse jogo gera mais frustração do que benefícios. Isso não quer dizer que se não presta para eles, então o negócio é acabar com os programas, uma conclusão quase infantil do texto.

Mas o que me chamou mais a atenção no citado texto foi que Seth personaliza uma reação emocional comum a vários associados dos programas de fidelidade. Mesmo pessoas esclarecidas, viajadas e que têm contato frequente com as cias aéreas como ele, sentem-se extremamente frustrados quando diante de um monte de milhas não conseguem usá-las quando e como querem. Não conseguem porque por mais que as cias aéreas queiram passar essa idéia, ela é uma falácia.

O interessante é que parece que muitas delas são traídas pelo seu próprio subconsciente que insiste em acreditar em passagem grátis para aonde e quando quiser mesmo quando o consciente se esforça para negar o fato categoricamente. Só isso explica frustrações em pessoas que deviam entender pelo menos o básico desses programas devido ao contato freqüente com as cias aéreas.

Reação semelhante acontece quando muitos associados dos programas de fidelidade acabam com um monte de créditos pulverizados em diferentes programas que no final das contas não conseguem serem revertidos em uma passagem. Não importa se eles não quiseram ou não tiveram a oportunidade de entender as regras ou as ignoraram durante o processo de acumulação. O que importa é que a pessoa se sente a pior do mundo, traída pelos programas ao ver um monte de créditos que não consegue usar (como se eles tivessem a obrigação de fazer a passagem “grátis” acontecer). Nessa hora, uma reação natural de buscar o culpado por aquele “absurdo” acontece. Como culpar a si próprio está fora de cogitação para muitos, a raiva normalmente é direcionada aos programas de fidelidade.

Pior fica quando alguns consumidores frustrados conhecem ou ficam sabendo que alguém conseguiu extrair algo do mesmo programa de fidelidade dele. A reação imediata é de achar que o outro é um viciado ou bitolado no tema, já que na sua visão “só esse tipo de gente” consegue alguma coisa nos programas de fidelidade…

Qual a receita para evitar a frustração com os programas de fidelidade?

Meu conselho é: procure saber suas necessidades e disponibilidades!

Se seu negócio é preço e não quer ficar gastando tempo em entender de programa de fidelidade, ignore a existência deles! Uma solução radical é nem se inscrever neles. Ai no final, você não vai nem ter milhas/pontos/Km em número insuficiente para fazer você se sentir um bobo por não conseguir usá-los!

Se só te interessa créditos que possam ser usados quando e como você quiser, fuja dos programas de fidelidade tradicionais. Eles vão ser fonte de frustração para você. Pense em algum do tipo cash back (por exemplo, Tudo Azul ou cartão Citi Cash Back) e depois compre uma passagem usando como pagamento parte do que conseguiu acumular.

Se você não controla seu cartão de crédito e vive gastando mais do que tem, esqueça as milha/pontos/Km gerados pelo seu cartão. Possivelmente, você está pagando muito mais em juros e multas do que acumula em créditos. Procure outras formas de pagamento e quem sabe com o que economizou deixando de pagar juros e multas, você não compra uma passagem para voar quando e para aonde quiser!

Se você tem um pouco de tempo para estudar o tema e uma margem para pagar mais a fim de ser fiel a uma cia aérea ou aliança, estude bem o programa ao qual quer se associar (existem programas melhores ou piores de acordo com a sua necessidade específica) e domine as regras básicas de acumulação e uso. Assim, mesmo não sendo um expert ou bitolado, você com certeza em algum momento vai conseguir usar seus créditos acumulados ao seu favor e não se sentirá um bobo acumulando-os, desde que não se iluda que vai usá-los quando e para aonde quiser.

Se você acredita que os programas de fidelidade foram a melhor invenção do mundo, que uma passagem emitida com esses créditos é igual a uma passagem comprada e que tudo é válido para se acumular mais milhas/pontos/km, sugiro uma pausa para avaliar o que você anda fazendo. Reflita, avalie os custos e os benefícios que você tem conseguido. Veja se você é realmente faz parte do seleto grupo que sempre sai ganhando com os programas de fidelidade. Foi positivo para você? Então seja feliz, já que cada um é dono do seu nariz e do dinheiro que ganha ou gasta! Ficou na dúvida? Avalie melhor suas estratégias. Quem sabe, você não conclui que há outros assuntos que merecem mais atenção sua?

Tags:

Category: Cartões de Crédito, Programas de Fidelidade Aérea

Comentários (48)

Trackback URL | Comments RSS Feed

  1. Mandei meu irmão e cunhada para o México por 40k cada pela TAM. Sempre monitorava e ficava na casa dos 60 ou 80k por pessoas, quando abriu a brecha na metade de março e mandei os pontos para o Multiplus e fiz a emissão. Caso não fosse possível eu já tinha uma pesquisa pronta de várias possibilidades para a passagem comprada. Tem que estar sempre atento!

    Responder

  2. Muito bom o artigo. Tenho me deparado muito com essa situação. Até comecei um serviço de emissão de passagens com milhas de tanto que gosto de fuçar, entender, pesquisar o melhor custo x benefício.

    Depois que tive uma bagagem extraviada pela Iberia e do desconforto que isso gerou eu quero todos os dias aprender mais sobre esse mundo. Mas reconheço que existem consumidores que não querem se aprofundar muito e acabam “espalhando os pontos por diversos programas” e não utilizando da melhor maneira possível a ferramenta cartão de crédito.

    Mas as informações estão no ar disponíveis quem deseja economizar e aprender mais basta se dedicar um pouco. Vale muito a pena! Nos últimos 30 dias gastei 206.000 milhas para 8 viagens para a minha família. Todos viajaram e estão felizem com a economia. Já estamos acumulando para as próximas oportunidades. Abraço a todos!

    Responder

  3. Márcio says:

    Wilian, realmente, para encontrar essas barbadas no Fidelidade TAM só tendo muuuuuuuita paciência, fazendo buscas todo santo dia e tendo MUITA flexibilidade com as datas de voo. Infelizmente não tenho esse perfil. Porém, fico feliz por quem tem! : )

    Responder

  4. Oi Rodrigo e outros Trips:
    Como muitos, também estou decepcionado como somos tratados pelos programas de milhagens. Mas vejo também que o maior uso pelos associados elevou a procura e baixou a demanda deste, pois com a baixa do dólar o acúmulo de milhas ficou muito maior, então eles alteram as regras.
    Achei o post do Seth com alguns problemas de falta de ginga, de rebolado, tentou por tentar foi meio cético, coisa que nós brasileiros usamos com mais comodiade, mas mesmo assim existem pontos interessantes.
    Utilizei a pouco o Bradesco Fidelidade, comprei a passagem direto pela central do Bradesco sem transferir os pontos algum programa de companhia aéria e o resultado foi satisfatório. Transformando em uma excelente alternativa.

    Deixo aqui meu texto para quem tiver interesse:

    http://viajarepensar.blogspot.com.br/2012/05/voando-com-o-bradesco-fidelidade.html

    Boas viagens e boa sorte com a milhas!!!!

    Responder

  5. Luis Henrique says:

    Rodrigo
    Eu tenho cartao gold star alliance pela united por isso sempre voo nessas empresas para manter o status. Minha pergunta e se o acumulo de milhas e o mesmo
    Por exemplo : se eu voar tam e acumular na united eu vou reveber a mesma quantidade de milhas se eu acumular na propria Tam?
    Obrigado

    Responder

    Rodrigo Purisch respondeu:

    leia o artigo que publiquei hoje sobre pontuação!

    Responder

  6. Natale Papa says:

    Ótimo site e ótimo texto, antes de tudo parabéns!

    Eu sou um dos que se frustam um pouco com esses programas de milhas. Meu exemplo recente: Estou desde o carnaval buscando emitir passagens de ida e volta para Europa (indo na 1a semana de Janeiro e voltando 1a semana de Fevereiro e impressionantemente não exitem pelo Smiles voos saindo 6a e sabado e muito menos em qualquer outro dia com tarifas que não as Executivas, por quase 20mil pontos a mais por trecho em comparação a tarifa economica). Já a Tam não abre vendas com mais de 6 meses de antecedência, sendo que preferi esperar já que na Europa seria baixa temporada (inverno) e o Smile quando tem voo, é na tarifa mais cara!

    Preciso mesmo ver as dicas acima e me adaptar a esse mercado de fidelidade!

    Responder

    RABUGENTO respondeu:

    A viagem é longa.

    Vá de executiva, não se arrependerá.

    Responder

Deixe um comentário

Os comentários publicados aqui são de exclusiva e integral responsabilidade de seus autores. Comentários que julgarmos conter termos chulos, que não respeitem a opinião dos demais, que tratem de problemas comerciais individuais com terceiros, que promovam o comércio de milhas, que tragam termos preconceituosos, que sejam identificados como textos publicitários ou que visem apenas denegrir a imagem de terceiros serão moderados e/ou excluídos. Comentários sem identificação clara de seu autor (nome e/ou email válido) também poderão ser excluídos.