Publicado Estudo Profundo que Pode Te Ajudar Ainda Mais na Busca de Uma Passagem Aérea Nacional Barata

24 de October de 2011 | Por | 5 Comentários More

Quais são as dicas para comprar uma passagem barata ou promocional?

Essa é sem dúvida a pergunta que mais recebo dos meios de comunicação que entram em contato comigo.

Não existe uma regra que funcione sempre ou para todos os tipos de passagens ou para todo tipo de consumidor. Não há receita de bolo que fará você sempre fazer o melhor negócio. Os fatores envolvidos na determinação do preço de uma determinada passagem aérea são variados e muitos deles não podem ser controlados.

O que existem são dicas básicas, publicadas aqui, que em grande parte estão resumidas neste texto de 2007, cujo resumo é (sugiro ler o texto completo!):

Em vôos internacionais

Procure voar de terça a quinta feira. Evite Sexta e Sábado.

Pesquise em mais de um site de cia aérea ou agência virtual ou consolidador

Compare sempre o preço final das tarifas aéreas (passagem + taxas, adicionais, encargos e taxas extras cobradas pelo do site).

Não se esqueça que cada cia e site têm sua política de parcelamento da passagem aérea

Se você estiver indo a Europa e tenha visto para os EUA, não esqueça de cotar sua passagem com trajeto via EUA. Para quem tem tempo pode ser uma boa opção.

Sempre que puder, use a possibilidade de stopover (parada intermediária) até o destino final ou na sua volta. Pode-se conhecer dois destinos quase sem aumento de preço.

Monitore e compare sempre os preços das cias de baixo custo, mas lembre-se que essas cias geralmente usam aeroportos periféricos, possuem franquias de bagagem inferiores e cobram taxas por despacho de bagagem, uso de cartão de crédito, marcação de assento….

Antecedência demais não garante tarifas mais baixas. Flutuações cambiais, alteração do preço dos combustíveis de aviação, crises pontuais ou mais difusas influenciam muito o preço das passagens. Recomendo sempre começar a avaliar a compra 3 a 4 meses antes da viagem.

Achou uma relação boa entre preço e cotação do dólar? Vale a pena garantir uma passagem, mesmo que uma mais cara com multas de reembolso baixas no caso de pintar uma outra super promoção

Vôos Nacionais

Procure voar no meio do dia ou tarde da noite durante a semana (terça e quarta tendem a ter preços menores) e na tarde e noite de sábado e manhã de domingo. Vôos no início da manhã de segunda a sábado e final da tarde e início da noite de segunda a sexta, além de domingo à noite em destinos turísticos, tendem a ter preços mais altos.

A regra de que promoções são feitas apenas em épocas de baixa demanda foi anarquizada pelas cias aéreas nacionais. É possível ver promoções próximo a feriados e férias. Mas se você deixar para muito próximo e não vier uma promoção, poderá vir a pagar muito mais caro!

Comprar passagens com mais de 30 a 15 dias de antecedência pode garantir acesso a um determinado vôo no horário desejado e reduzir um pouco a perda no caso de uma promoção de último momento. As passagens tendem a ter preços maiores nos 15 dias anteriores ao vôo.

É mais fácil pescar uma passagem mais barata no final de semana (mesmo fora das promoções) do que durante a semana. Mas a regra mesmo é: achou uma passagem muito boa, compare com a concorrência, leia as regras das tarifas e tome imediatamente sua decisão de compra. Ficar pensando demais pode deixar passar a oportunidade.

Depois dessas dicas leia também este texto: Promoção sempre vale a pena? Um pequeno manual para não se arrepender depois.

Pesquisa publicada recentemente pode te ajudar a entender o comportamento das tarifas nacionais

Um estudo recente publicado pelo NECTAR – Núcleo de Economia nos Transportes  – denominado de “Estudo do Preço de Passagens aéreas em Aeroportos Paulistanos” conseguiu confirmar usando métodos estatísticos muitas de nossas percepções sobre a flutuação dos preços das passagens e ainda conseguiu quantificar a influência de vários fatores na complexa equação que determina o preço que o consumidor paga pelas passagens domésticas no Brasil.

Coletando dados referentes a preços de passagens domésticas partindo de Congonhas e Guarulhos em sites de consolidadores de passagens aéreas entre 2008, ele traça o comportamento das tarifas aéreas e como se dá a influência de vários fatores, como por exemplo, antecedência de compra, feriados, preço do dólar, concorrência, horário e dia do vôo, aeroporto de partida, número de conexões, nos preços das passagens.

É um estudo muito bom, estruturado cientificamente e que merece ser lido por quem sabe que é o conhecimento é que se faz viajar mais e melhor.

Apesar da maioria das suas conclusões possam ser extrapoladas para o mercado brasileiro de passagens domésticas no geral, o estudo foi construído usando uma amostra de dados restrita ao mercado paulista, sendo assim, as conclusões só são 100% válidas para esse mercado (o todo de onde se retirou a amostra). As extrapolações devem ter sempre em mente que São Paulo é o maior mercado para a aviação no Brasil e por isso conta com uma oferta maior de vôos e uma concorrência mais elevada por atrair uma maior número de players. O comportamento das passagens domésticas em outros mercados com menos oferta ou concorrência ou mesmo com vocações mais ou menos turísticas de lazer ou de negócios que a capital paulista pode variar um pouco deste de São Paulo.

Outro fato importante é que o estudo não conseguiu prever as super promoções e a sua influência dentro do comportamento das tarifas, já que elas são ocorrências imprevisíveis, esporádicas e limitadas que acabam sendo diluídas no todo dos dados coletados. O estudo não foi construído com essa intenção.

Não dá para usar todas as conclusões como o “mapa da mina de ouro” (até porque não há como prever o futuro), mas ele dá boas dicas de qual seria o caminho para encontrar bons preços, as quais resumo abaixo:

Alguns dados muito interessantes revelados pela pesquisa:

Há uma forte divergência entre os dados de evolução de preços das passagens divulgados pelo IBGE e pela ANAC. Os dados levantados pela pesquisa se aproximam mais dos dados da ANAC, porém também não são semelhantes.

O estudo mostrou que a proibição imposta para vôos de conexão em Congonhas no passado levou a um aumento do preço das passagens por lá, coisa que se reduziu após a flexibilização das mesmas.

Além disso, consegue alertar que uma redução generalizada das multas cobradas por cancelamento e alteração de passagens, como algumas autoridades defendem, pode levar sim a um aumento do preço das passagens na medida que reduz uma separação forçada pelas altas multas entre consumidores de lazer e negócios (mais propensos a pagar mais por flexibilidade).

Os dois exemplos acima mostram como nosso Governo muitas vezes pensando estar evoluindo (mas sem ter embasamento consistente para seus atos) acaba é prejudicando o consumidor.

O impacto da queda do dólar no preço das passagens domésticas: Como toda vez que o Real se valoriza sobre o dólar, a cia reduz seus gastos em reais (uma boa parte dos custos das cias aéreas são baseados na moeda americana), ela costuma repassar parte desse ganho aos consumidores oferecendo passagens mais baratas (não é uma correlação sempre linear). Ele conclui que a cada 10 centavos de desvalorização do real perante o dólar faz as passagens subirem 3,4%.

Ele demonstra como uma boa distribuição dos slots (vagas para pousos e decolagens) nos aeroportos entre cias aéreas diferente em cada faixa de horário pode reduzir o valor das passagens por gerar concorrência e como a concentração pode ter efeito inverso. Chama a atenção para que tenhamos uma política mais séria evitando a concentração de slots visando proteger a concorrência. Ele alerta ainda que compras de cias menores por maiores (sem perdas de slots), como a compra da Webjet pela Gol, podem gerar efeitos de aumento de preços no longo prazo, como sempre advogamos aqui.

O estudo aponta que cada cia aérea adicional atuando na mesma rota (ligando mesmos aeroportos) reduz em 3,6% o preço das passagens. A entrada da Azul em Viracopos forçou a queda em média de cerca de 9,1% dos preços em Guarulhos.

Demonstra que voar curtas distâncias é proporcionalmente muito mais caro que voar longas distâncias. Chama assim a atenção para necessidades de políticas de estímulo aviação regional e de concorrência nesse setor. Ou seja, não é fundindo a Trip com a Latam que vamos conseguir democratizar também a aviação de curta distância.

Chama atenção que ao contrário do que é visto em viagens internacionais e no próprio exterior, vôos diretos (mais rápidos) no Brasil partindo de São Paulo tendem a ter preços inferiores a vôos com várias conexões (mais longos e desconfortáveis).

Compras de passagens com antecedência (maior que 30 dias) podem resultar em descontos de até 1/3 do valor. Comprar com antecedência é também assumir riscos de pagar uma alta multa para mudar a passagem no futuro em caso de imprevisto.

Há um pico de preços no início da tarde (13h às 15/16h e de 17h às 18-21h dependendo do aeroporto, GRU ou CGH) e um vale (queda) entre 8h e 12h.

Voar na segunda tende a custar mais caro e entre terça e quinta mais barato (até 7,3% mais barato que segunda).

As passagens em média se mostram mais baratas nos primeiros 4 meses do ano, sendo mês de março o mais barato. Agosto seria o mês mais caro do ano (para comprar e não para viajar!).

Os meses mais caros para viajar seriam dezembro e janeiro e os mais baratos seriam agosto e setembro. Julho é caro, mas menos que na alta estação do verão.

Vale a pena ler o estudo completo. Parabéns aos coordenadores do mesmo!

Quem sabe um dia não vem um desses sobre as passagens internacionais? Eu tenho uma hipótese que gostaria de ver testada: As cias aéreas em média tendem a manter um preço em reais dentro de uma banda que elas consideram que o consumidor tolera pagar independente da queda ou subida do dólar em relação ao real.  Ou seja, não repassam a redução de custos ou o aumento dele integralmente ao consumidor por aqui.

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Category: Para Voar Dentro do Brasil, Promoção

Comentários (5)

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  1. Claudete Romaniszen says:

    Olá pessoal. Estou tentando passagens com pontos fidelidade pra voltar dos EUA para o Brasil em Abril de 2012 e não está tendo disponibilidade. Será que vão subir as milhas necessárias de novo ou é normal esta demora?

    Responder

    Gabriel Dias respondeu:

    O sistema disponibiliza assentos aos poucos. Não é porque você está vendo com 6 meses de antecedência que haverá assentos disponíveis. Tem que procurar sempre.

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  2. Guta says:

    MUITOOOOO BOM Rodrigo! Post Favoritado! Obrigada por ter dividido aqui!

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  3. WARNER says:

    Muito bom post. Como foi comentado, várias informações já estava presente no post de 2007 que confirma o nivel do site.

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  4. Aline says:

    Parabéns pela matéria – qualidade como sempre!

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