Indo Além das 20.000 milhas/Pontos

8 de August de 2007 | Por | 8 Comentários More
Uma pergunta que me fazem com uma certa freqüência é a de como usar uma passagem emitida para voar dentro América Sul com o uso de milhas/pontos para ir além da América do Sul. A idéia seria usar a passagem até um certo ponto da América do Sul e comprar uma outra passagem até um outro destino, geralmente, no Caribe ou América do Norte. Vale a pena? Quais destinos seriam beneficiados por essa estratégia? São perguntas como essas que vamos tentar responder neste post.

Introdução: Destinos Dentro da América do Sul

Usando 20.000 milhas de sua conta
Smiles será possível voar com a Varig (no momento, a única cia dentro do Smiles disponível para emissão) apenas para Bogotá na Colômbia, Caracas na Venezuela e Buenos Aires na Argentina.

Já no Fidelidade TAM, é possível emitir prêmios usando 20.000 pontos para voar na TAM, TAM Mercosul, TACA e no futuro na LAN.

A TAM/TAM Mercosul voam para Montevidéu no Uruguai, Assunção e Cidade Del Leste no Paraguai, Santiago no Chile, Buenos Aires e Córdoba na Argentina, Cochabamba na Bolívia e está programado para voar para Caracas na Venezuela a partir de 29 de setembro (Rio-SP-Manaus-Caracas).

A TACA voa para Lima e Cusco no Peru, Quito e Guaiaquil no Equador, La Paz e Santa Cruz da La Sierra na Bolívia.

Atualização: O acordo com da TAM com a TACA acaba dia 24 de setembro. A LAN deve substituir a TACA em outubro, com isso agregando mais destinos.

Destinos Envolvidos no Comparativo

Dentre esses destinos foram escolhidos: Montevidéu, Buenos Aires, Santiago, Caracas, Bogotá, Assunção e Lima para realizar um pequeno comparativo. Foram pesquisados, no GDS SABRE, os preços das tarifas entre esses destinos e as seguintes cidades: Los Angeles e Miami nos EUA; Madri, Lisboa e Paris na Europa; Aruba, San Martin, Curaçao, Santo Domingo e Punta Cana (Rep. Dominicana) no Caribe; Cidade do México no México; Sidney na Austrália, Papeete na Polinésia Francesa; Tóquio no Japão, Cingapura; Bangkok na Tailândia e Pequim na China.

Foram selecionadas as menores tarifas publicadas no GDS SABRE em agosto de 2007. Atente que essas tarifas acabam rápido, portanto se quiser encontrá-las, você terá que se programar com antecedência e evitar os períodos de alta estação ou de pico no destino desejado.

Portanto, não foram incluídas cias que não publicam suas tarifas nesse GDS, como por exemplo cias aéreas pequenas ou algumas cias Low Cost/Baixo Custo. Desta forma, você poderá encontrar tarifas menores ainda do que essas aqui citadas, como tarifas promocionais, tarifas restritas aos sites das cias aéreas, tarifas low cost/baixo custo, etc.

Como as tarifas variam com o tempo, não tenha os dados descritos nesse texto como uma verdade absoluta. A idéia é te orientar. Caso você deseje ir para um determinado destino, faça a cotação usando um site como o
ITA e nos sites das cias que operam essas rotas durante a fase de planejamento de sua viagem.

Resultados Gerais

As tarifas praticadas no Brasil encontram-se, a exceção dos destinos europeus, em valores superiores aos dos nossos colegas de América do Sul. Às vezes, a diferença é maior, outras vezes menor, mas na maioria das vezes há uma diferença para mais nas tarifas praticadas no Brasil. Somente o Paraguai possui tarifas semelhantes e algumas vezes um pouco mais elevadas que as tarifas praticadas no Brasil. Não raramente o valor pago em uma tarifa direta saindo do Brasil equivale à soma de uma tarifa Brasil até Uruguai ou Argentina ou Chile e de lá até o destino final. A ganância das nossas cias, os impostos cobrados e as bandas tarifárias existentes no Brasil contribuem para esses achados.

Caracas na Venezuela demonstrou-se ser um ponto interessante para conexões em direção ao Caribe, Los Angeles no EUA e Cingapura. Bangkok e Pequim podem ser acessadas com tarifas menores partindo de Caracas, mas nesses casos a diferença é menor que para outros destinos. A proximidade com a América do Norte e Caribe pode explicar essa situação. As taxas cobradas na Venezuela podem azedar um pouco as tarifas.

Bogotá, mostra-se como uma segunda opção para o Caribe, como tarifas levemente superiores às praticadas em Caracas.

Lima, no Peru, apresenta-se como um bom ponto de conexão para o Tóquio, Madri e Miami. A grande colônia japonesa, o fato de ser um local que recebe um grande afluxo de turistas e pela concorrência iniciada pela low cost americana Spirit na rota Peru/EUA podem ajudar a explicar esses achados.

Buenos Aires, Montevidéu, Santiago destacam-se como ponto de conexão para a Polinésia Francesa. Para os destinos europeus há uma certa igualdade nos preços praticados no Brasil, mas atenção, porque é muito comum a ocorrência de promoções envolvendo vôos partindo dessas cidades em direção a Madri. Por outro lado, a concorrência na rota Brasil/Madri deve aumentar muito, já que em breve tanto a TAM como a Varig devem operar a rota. Para destinos como Cidade do México, Tóquio, Sidney e Cingapura as diferenças ficam entre 300 e 50 USD dólares a menos saindo dessas cidades, com uma certa vantagem para Montevidéu.

Mas antes de se decidir por usar dessa estratégia de combinação de tarifas atente:

Quando se faz conexão com cias diferentes, é prudente deixar uma boa folga de tempo para a realização das mesmas. Recomendo mais de 24hs de intervalo, já que a segunda cia não tem a obrigação de remanejar seus vôos por causa de um atraso imprevisto cuja culpa é de outra cia aérea. Portanto, não se esqueça de adicionar os custos de uma pernoite no local de conexão.

Outro ponto importante que deve ser lembrado é que as franquias de bagagem geralmente empregadas pelas cias em vôos partindo do Brasil são superiores as empregadas em outra rotas. Se você pretende voar com muita bagagem, fique atento para o excesso de bagagem que pode elevar em muito o custo final dessa passagem.

Outro fator é o tempo. Como envolve conexões há uma perda de tempo nessas conexões e se no seu caso “time is money” fique atento para verificar se a economia gerada por essa associação é vantajosa no seu caso.

Programe-se com antecedência, para que seja possível conseguir as melhores tarifas. Não esqueça de analisar o clima no local de destino, pois você não vai querer estar no Caribe em plena temporada de furacões sem saber que corre esse risco.

Por fim, fica claro que só existem tarifas competitivas em rotas onde há concorrência.

Tags: , , , , , ,

Category: Planejar e Comprar, Programas de Fidelidade Aérea

Comentários (8)

Trackback URL | Comments RSS Feed

  1. Emília says:

    Oi, Rodrigo!
    Não tinha o teu e-mail então fica aqui o convite para dar uma passadinha no meu blog: criei coragem e coloquei no ar:
    http://aturistaacidental.wordpress.com/
    Queria também pedir permissão para poder te adicionar ao blogroll.
    Um abraço!

    Responder

  2. Karinissima says:

    Rodrigo, super obrigada pela explicação 😀 Um amigo me explicou uma vez, mas a sua foi super didática.

    As tarifas da TAM estão ótimas, um dos meus amigos acabou pegando uma delas.

    Agora que você falou sobre quem faz grande parte das vendas no Brasil… Lembrei quando os agentes passaram a apoiar a Varig quando ela estava se recuperando da crise. Então ela deu uma bela banana aos operadores e tirou as TOs de todo mundo. E agora é comprada pela Gol. Ó mundo.

    E por falar em sacanagem, depois da Air France, a LAN está craque em divulgar tarifas mais baratas no website do que as disponpiveis no sistema. Algumas são mais baixas até que as tarifas acordo. 😐

    Opa, já disse que adoro seu blog? Aprendo várias coisas por aqui. 🙂

    beijis

    Responder

  3. Karinissima says:

    Aliás, vi que você linkou a PIA na lista de cias aéreas asiáticas. Vou te passar as outras cias que operam no PK:

    Aero Asia – http://www.aeroasia.com/ Bons preços, o serviço não é ruim, mas os aviões… hehehe

    Air Blue – cia aérea low cost com low fare (viu, aprendi, kkk), já viajei nela, é tranqüila para padrões paquistaneses: http://www.airblue.com/ Voa para Manchester e Dubai.Uma tarifa Dubai – Islamabad custa 1/3 do que a tarifa da Emirates e metade do valor da Etihad (que só voa via Abu Dabhi, chatinha)

    Shaheen Air – http://www.shaheenair.com/ Parecida com a Aero Asia, gosto muito da comida de bordo. 😀

    Ok, sei que Paquistão não é uma potência turística, mas tinha que deixar a dica. 😉

    besos

    Responder

  4. Marcio Nel Cimatti says:

    Ótima série de post Rodrigo é uma dúvida comum mesmo.

    Abs!

    Responder

  5. Rodrigo Purisch says:

    Karini,

    assim que tiver um tempo vou adicioná-las aos liks das cias aéreas junto com as cias do nômade

    Responder

  6. Rodrigo Purisch says:

    JBMilhas,

    Não discuto a seriedade da sua empresa e nem os valores cobrados, mas por ser esse Blog um local de onde tento orientar os consumidores e pelo risco envolvido na venda de milhas (exclusão do programa de fidelidade) optei por excluir seu comentário/anuncio.

    Um abraço

    Responder

Deixe um comentário

Os comentários publicados aqui são de exclusiva e integral responsabilidade de seus autores. Comentários que julgarmos conter termos chulos, que não respeitem a opinião dos demais, que tratem de problemas comerciais individuais com terceiros, que promovam o comércio de milhas, que tragam termos preconceituosos, que sejam identificados como textos publicitários ou que visem apenas denegrir a imagem de terceiros serão moderados e/ou excluídos. Comentários sem identificação clara de seu autor (nome e/ou email válido) também poderão ser excluídos.