Mercado de Turismo Convive Com Mudanças Rápidas. E o Google Vem Aí…

29 de April de 2010 | Por | 5 Comentários More

O mercado de turismo anda passando por rápidas transformações nos últimos anos e nós consumidores temos que ficar atentos:

Cias aéreas com sites próprios vendendo diretamente as passagens aéreas, às vezes com preços inferiores,  e endurecendo em relação as comissões dos agentes. Lembre-se que um bom agente com acesso real a um GDS (não um vendedor de passagens apenas) pode facilitar a compra de determinas tarifas e ainda passar a ser co-responsável pela sua emissão, além de poupar seu tempo. Ser seu próprio agente de turismo tem seus prós e seus contras também.

O advento das agências e consolidadores virtuais oferecendo a quem tiver um cartão de crédito internacional acesso a tarifas negociadas e a  pacotes oferecidos diretamente pelas operadoras ao redor do mundo. Hoje esses sites são tantos e localizadas nos mais distantes pontos do planeta que se deve ter cuidado nas escolhas.

O feliz nascimento dos agregadores permitindo comparar preços entre as agências, consolidadores e as cias aéreas. Assim você reduz o tempo que seria necessário para visitar individualmente todos os sites. Falando em agregadores, lembre-se que cada agregador tem acesso a um número determinado de sites, sendo assim,  você deve procurar em mais de um e sempre conferir no site da cia aérea, no caso de passagens, se não há alguma oferta especial restrita ao site próprio dela. Infelizmente, todo dia nasce um novo agregador oferecendo mais do mesmo ou até menos do mesmo, mas com um grafismo mais moderninho. Não julgue o agregador pelas aparências.

O boom dos blogs/Fóruns ligados ao turismo, principalmente daqueles com conteúdo 2.o, que  facilitou o acesso às “informações privilegiadas” além de permitir a troca de conhecimentos e a possibilidade de acessar experiências de “gente como agente”. O efeito colateral foi o também  boom de blogs de faixada visando apenas induzir o consumo em trocas de cliques em links ou favores das  empresas. Faça uma busca e você verá quantos “blogs” especializados em promoções de passagens existem hoje no Brasil (ainda bem que o Aquela Passagem focou muito além e não se limitou a apenas publicar ou republicar press releases maquiados de promoções). Siga blogs que possuam uma linha de conduta clara, que produzam material próprio, que não fiquem prometendo maravilhas a todo momento e que estimulem a construção do conhecimento conjunto (ninguém é dono da verdade). O nível dos comentários (não o número deles) é um bom parâmetro para analisar o que aquele blog/fórum tem a oferecer, o que normalmente vai muito além do texto do post ou tópico.

A criação dos blogs e redes sociais próprias dos fornecedores de serviço visando fidelizar o consumidor (nem que seja por meio de promoção ou sorteio) e agregar valor ao produto oferecido por  meio de informações correlatas. Azul e a Accor são exemplos de empresas que tem apostado nessa proposta. Pena que muitas vezes ela é desvirtuada e utilizada como uma  forma de conseguir melhor exposição nos buscadores e até de minimizar a exposição das críticas que porventura existam na Internet por meio de um grande número de artigos contendo o nome da empresa e com conteúdo controlado por ela.

No Brasil, essas transformações começaram de forma lenta, mas tem se acelerado nos últimos tempos. Grandes consolidadores internacionais estão de olho no Brasil. O Expedia via Hoteis.com pavimenta sua entrada no mercado brasileiro (ela é dona também do Tripadvisor, do SeatGuru, Hotels.com, Hotwire, Venere, Booking Buddy, Cruise Critic entre outros – só falta comprar o Aquela Passagem…). O Travelocity também deve chegar em breve. Enquanto isso possíveis boas propostas e com bom capital por trás, como o PanAmericano Viagens, não conseguiram oferecer algo com diferencial suficiente para cativar as massas ou nichos podendo assim fazer frente a chegada dos realmente grandes ao mercado nacional.

Os agregadores nacionais ainda são incipientes e restritos ou apenas repetem os internacionais sem agregar nada de novo.  Eu sei que nem sempre as idéias (eu mesmo que já tive meus planos de tentar criar um que agregasse mais valor as buscas) encontram o conhecimento técnico e o capital no momento certo resultando em lucros para todas as partes, mas anda faltando criatividade no mercado nacional que assim expõe-se a ser engolido.

As grandes agências e operadores estão cada vez mais apostando nos seus sites. CVC (turbinada por capital externo) e a Estela Barros são exemplos disso.

Algumas agências físicas já visualizaram essas mudanças e já começaram a encarar seus agentes como reais consultores (reais entendedores do que vendem) que devem se preocupar com as necessidades e especificidades do seu consumidor a fim de fidelizá-lo e então sobreviver como uma opção nesse mercado. Outras ainda acham que nada vai mudar… O consumidor em geral ainda não entendeu que ele vai ter que pagar diretamente ao consultor, caso necessite dele, pelo seu trabalho/conhecimento e não ficar esperando que ele seja remunerado por comissões de vendas (os mais fracos podem ser induzidos a vender o que remunera melhor…).

Eu tenho idade para lembrar o medo que os caixas eletrônicos causaram na população. Hoje são objetos corriqueiros. Com o PNBL do Governos  e computadores mais acessíveis, a internet vai estar cada vez mais próxima do consumidor em geral e a inclusão digital ocorrerá de fato. Uma futura integração entre TV digital e a Internet pode ser a pá de cal no negócio de muita gente. Imaginou você vendo um documentário, programa de viagens ou propaganda e por meio de um clique na tela poder acessar diretamente e instantaneamente o site da empresa que presta aquele serviço, fazer uma cotação ou reserva imediatamente? Tudo que quem vende quer: emoção conjugada com ação imedita.

Se não bastasse todos esses envolvidos, agora boatos dão conta da compra do ITA que é o GDS atrás do Orbitz e uma das minhas ferramentas favoritas para busca avançada de passagens pelo Google. Imagina uma ferramenta dessas na mão do Google associada com o poder de inovação que eles possuem. É de dar arrepios até nos mais bem estabelecidos e gerar especulações de todo tipo sobre as possibilidades que podem ser apresentadas ao consumidor.

Category: Notícias, Planejar e Comprar

Comentários (5)

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  1. Emilio says:

    Rodrigo,

    Como sempre você nos fornecendo informações preciosas.

    Obrigado !

    Abraços

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  2. Ed says:

    Rodrigo,
    pra engrossar tua lista, se nao me engano a pioneira Expedia surgiu dentro da Microsofot, hoje nao sei como esta, pode ser que o Google esteja farejando trilha semelhante…

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  3. Você foi brilhante nas suas colocações, é admirável seu conhecimento neste “mundo vasto mundo” das viagens, e você parece saber e entender de tudo um pouco em se tratando de traveles.

    Procuro seguir uma linha de pensamento sustentada pelo tripe turismo-administração-direito, eu já percebi que muitos agentes só terão futuro caso se tornem verdadeiros consultores de viagens e não meramente vendedores de passagens, por isso estou sempre buscando conhecimento de ponta (como os que encontro aqui) para ter uma visão holística e de futuro.

    Nós vendemos um produto chamado Mundo que muda o tempo todo, se nós não acompanharmos a mudança acabamos ficando anacrónicos e consequentemente falidos.

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  4. Marcelo V Silva says:

    Já ouvi por ai que o site de trips do Google vai ser o http://www.troogle.com/, que já está no ar, mas só aparece o nome por enquanto… Vamos ver…

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  5. Marcelo V Silva says:

    Nao achei um lugar apropriado para mandar este link. Já sugeri anteriormente ao Rodrigo que criasse um local no Aquela Passagem para sugestoes de novos tópicos… Ai vai:

    Alitalia integra joint venture com Air France-KLM e Delta

    A Alitalia passará a integrar a joint venture formada por Air France-KLM e Delta Air Lines, compartilhando receita e custos em rotas transatlânticas e garantindo ao grupo acesso ao terceiro maior mercado da Europa. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pelas empresas.

    Em comunicado, as companhias afirmaram que a entrada da Alitalia levará o grupo a atender cerca de 26% da capacidade de voos transatlânticos, com receita anual superior a US$ 10 bilhões.

    A integração da companhia italiana, cuja participação da Air France-KLM é de 25%, faz parte de um acordo firmado em abril e que tem duração até, pelo menos, 31 de março de 2022.

    A deficitária Alitalia solicitou concordata em 2008 e foi relançada como uma empresa privada por investidores italianos no ano passado.
    http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201007051234_RTR_1278333255nN05240870&idtel=

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