Nova Conjuntura e as Passagens Aéreas

7 de January de 2009 | Por | 4 Comentários More

O mundo é muito mutável mesmo. Até pouco tempo a demanda por vôos estava muito aquecida e as cias não conseguiam dar vazão a ela. Viu-se um aumento dos preços das passagens, carência de aeronaves para aluguel e uma redução dos benefícios aos associados dos programas de fidelidade aérea.  O brasileiro aproveitando da baixa cotação do dólar começou a voar mais e as cias nacionais foram atrás de aeronaves (muitas vezes não as mais econômicas ou mais bem conservadas) para dar conta da demanda.

Demanda alta e o preço do petróleo, e consequentemente do querosene de avião, começou a subir. Passou dos 100 dólares. Como ele é um dos principais componentes na formação dos custos de uma cia aérea, várias delas optaram por retirar aeronaves mais velhas e beberronas do mercado, reduzindo o número de vôos e iniciaram a cobrança de adicionais de combustível. Muitas cias low cost nos EUA não aguentaram o aumento dos custos e fecharam. Nossas cias optaram por tentar reduzir ao máximo o uso de aeronaves menos lucrativas (principalmente a Varig e seus 767 alugados a toque de caixa), aumentaram os preços médios das passagens, cortaram promoções e começaram a fazer caixa tanto para subsidiar uma expansão internacional mais rápida (Tam), cobrir gastos de uma compra não bem sucedida (Gol da Varig) e preparar-se para a chegada  de uma nova concorrente ( a Azul). Cias menos preparadas como a OceanAir sofreram muito e involuíram, enquanto outras como a Webjet aproveitaram para crescer já que tem público cativo vindo da CVC.

Vieram os primeiros sinais de crise, o dólar disparou nos mercados, o petróleo ameaçou cair de preço e a demanda por vôos também. Algumas cias anteciparam-se e começaram a reduzir o adicional de combustível (no exterior esses adicionais caem no momento em que não mais necessários, diferente do Brasil…) e fazer algumas promoções de vôos mesmo na alta temporada de final de ano. No Brasil, a concorrência botou o pé na avenida e já foi respondida por promoções das demais cias, que ajudaram em muito as férias de alguns leitores. A Tam para de defender da concorrência foi procurar abrigo no judiciário. Cortaram tanto os custos (entenda-se funcionários), que algumas cias não conseguiram dar vasão a demanda de fim de ano.

E o futuro? Mais uma vez falo que não sou bom de futurologia, mas vamos especular um pouco: Petróleo mantendo queda, retração na economia global versus redução da oferta de vôos e cotação do dólar. Parece que a redução da demanda por passagens (principalmente pelos executivos que pagam as maiores tarifas) foi maior que a redução dos vôos promovidas com antecedência pelas cias aéreas a fim de reduzir os custos com o antigo preço do petróleo. Com isso, elas precisam incentivar o aumento da demanda que pode refletir-se em promoções para o consumidor. A queda dos custos com a redução do preço do querosene de aviação pode contribuir para isso. Por outro lado, a cotação do dólar ainda é incerta. Tomara que ele lentamente volte a níveis abaixo de 2 reais (mas não espere muito abaixo disso no curto prazo, já que somos uma nação de exportadores e para eles e o governo não interessa dólar baixo, apesar de algumas vezes as coisas saírem do controle…) e com isso seu poder de compra aumente. No Brasil, não espere muito das cias nacionais que apenas reagem a concorrência e tomara que ela esquente com a chegada dos novos aviões da Azul que ainda quer mostrar para que veio. Os vôos internacionais é que podem vir a ficar mais baratos se as barreiras judiciais forem vencidas e as bandas finalmente caírem impulsionados pelas concorrência nessas rotas e pela necessidade de aumentar a ocupação de forma a manter muitos dos novos vôos viáveis durante o ano todo. Se o dólar ajudar, pode ainda ser um bom ano para nós viajantes. Quem ainda pode sair lucrando são os associados dos programas de fidelidade aérea,  já que em épocas de vacas magras para as cias aéreas eles são sempre incentivados ao contrário do que vimos nos últimos tempos quando a situação era mais favorável para as cias aéreas.

Mas isso ainda é só especulação. Vamos ver o que o futuro nos reserva!

Category: Consumidor, Promoção

Comentários (4)

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  1. Kely says:

    Muito bom o post!
    Feliz Ano novo!

    Esperamos que as coisas melhorem para nós viajantes!

    Abraço!

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  2. Rubens Nogueira says:

    Gostaria de saber sobre a CIA Aero Sur estou querendo comprar para Abril passagens para Miami e tenho medo desta CIA quebrar, o estado financeiro dela é bom ?
    obrigado
    Rubens

    Responder

    jorge moraes respondeu:

    Não acho boa opção, ela voa de SP com boeing 737-200 bem velhinhos.

    Responder

    Rodrigo Purisch respondeu:

    Rubens,

    Atualmente essa é a cia mais forte dentro da Bolívia. Não me lembro de ter lido nada sobre a situação financeira da cia aérea. O Governo Boliviano está criando uma cia para concorrer com ela, a BoA, já que reina sozinha desde os problemas da LAB…
    Li um artigo sobre ela hoje.

    Responder

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