Taxas Aéreas: Matéria Obscura e Que Merece Sua Atenção

30 de January de 2011 | Por | 19 Comentários More

As taxas e adicionais cobrados pelas cias aéreas sempre foram assuntos polêmicos, muitas vezes obscuros aos consumidores e frequentemente onerosos.

Infelizmente, nós consumidores pouco podemos fazer com relação a algumas taxas e adicionais que são quase obrigatórios. As taxas de embarque estão entre elas.

Essas taxas e adicionais podem influenciar muito no valor final de uma passagem. Assim tarifas inicialmente iguais podem ter preços diferentes após a adição de taxas e adicionais.

No Brasil, hoje pagamos uma taxa de embarque fixa internacional de acordo com o porte do aeroporto. Partindo dos principais aeroportos nacionais com direção ao exterior pagaria-se 24 dólares. Mas devido ao ATAERO, essa taxa sobe para 36 dólares. O ATAERO é um adicional de 50% sobre todas as taxas aeroportuárias que pagamos desde 1989 para subsidiar melhorias da infra-estrutura aeroportuária. Onde está meu dinheiro, ninguém sabe, ninguém viu…

Mas o valor das taxas deve se alterar em breve, já que a ANAC vai flexibilizar cobrança impondo apenas valores máximos e criando aumentos anuais a partir da publicação da Resolução 180 de 25 de janeiro de 2001. Mas isso será tema de outro post.

Em outros países, o valor cobrado pode variar de acordo com o aeroporto ou com outros fatores como hora do vôo, dia da semana, classe em que se viaja e por aí vai.

Uma taxa que era cobrada à parte no Brasil (continua em muitos outros países) era a Taxa Q ou Taxa de combustível. A idéia dessa taxa era deixar mais claro que a cia aérea mantinha fixo o valor da passagem, mas que repassava ao consumidor a elevação, na teoria passageira, de custos causada pelo aumento do querosene de aviação. Essa taxa flutua de acordo com os custos de combustível (que chegam a ser 60% do custos de uma cia aérea) e a idéia original é que ela seria zerada quando o preço do petróleo voltasse aos patamares de referência da taxa. O certo é que a taxa virou mais um fator de confusão, já que podia alterar em muito o valor final da tarifa e seu valor era diferente de cia aérea para cia aérea.

A ANAC publicou em 2010 a Resolução 138 que obriga as cias aéreas a incorporar essa taxa de combustível e de todos os custos inerentes à prestação de serviço aéreo (custos que sem eles não seria possível prestar o serviço) ao valor da tarifa  em serviços de transporte com origem no Brasil.

A mesma Resolução da ANAC determinou que serviços adicionais poderiam ser cobrados, mas sem serem nomeados como taxa no bilhete aéreo. A DU ou comissão de remuneração de agente de viagens que algumas cias cobram quando se compra na agência ou call center, por exemplo, pode ser incorporado ao valor da tarifa anunciada (como era comum no passado,  já que a cia aérea era quem pagava a comissão ao agente)  ou pode ser cobrado à parte (como é a tendência atual onde o consumidor remunera o agente pelo serviço), mas nunca pode ser nomeada de taxa.

A análise dessas taxas pelo mundo é complexa e envolve muitas normas locais. Em alguns lugares, o valor cobrado como taxas são discriminados claramente (taxa de uso de instalação aeroportuária, taxa de segurança, etc…), em outros, tudo vira uma coisa só. Neste post do Travelzine, a Aline tenta clarear as coisas para quem atua no mercado japonês.

Vamos então comparar alguns exemplos:

Em casos de vôos diretos, as taxas tendem a serem semelhantes entre as cias aéreas que operam a mesma rota partindo do Brasil.

Em uma viagem São Paulo/ Buenos Aires:

Em uma viagem São Paulo/Bogotá:

Em uma viagem São Paulo/Nova Iorque:

Em uma viagem São Paulo/Londres:

Enquanto não há alteração das taxas voando na Executiva para os EUA, olhe como as taxas sobem se o destino for Londres:

A diferença começa aparecer mais nas rotas indiretas. Partir de São Paulo com direção aos EUA voando pela Copa (via Cidade do Panamá), pela Taca (via Lima) ou pela Lan (via Santiago), não eleva os custos de taxas comparado a um vôo direto, já que não há cobrança de taxas na conexão internacional.

Mas preste atenção numa passagem São Paulo/Paris usando várias opções de cias aéreas. Neste caso, o vôo até o Hub da cia aérea é internacional e o vôo dele a Paris funciona como vôo doméstico, apesar de toda a viagem estar dentro de uma tarifa internacional:

Primeiro, as taxas do vôo direto São Paulo/Paris:

Direto com a TAM ou Air France

Agora vários exemplos de rotas usando cias aéreas diferentes:

Via Zurique com a Swiss

Via Madri com a Iberia

Via Londres com a British

Via Amsterdã com a KLM

Via Amsterdã e Roma voando KLM e Alitalia

Agora um exemplo de uma tarifa Buenos Aires/Kuala Lampur, onde é possível cobrar taxa de combustível (não tem origem no Brasil):

YQ = Taxa de combustível na classe econômica. Olhe o valor dela neste exemplo!

Assim fica claro como a construção da rota de uma tarifa pode influenciar nos valores pagos a título de taxas.

Portanto, compare sempre os valores finais das passagens (valor da tarifa mais taxas e adicionais)!

Mas por que quando fazemos posts sobre tarifas no Aquela Passagem normalmente não incluímos as taxas? Porque somos vítimas do mesmo problema que assola o consumidor. Para fazer pesquisas com taxas, eu teria que pesquisar uma a uma no ITA ou no site da cia aérea. Como não disponho de tempo nem de alguém para fazer meu trabalho no Aquela Passagem, me limito a buscar as informações normalmente em listas de tarifas contidas em GDS, as quais não incluem as taxas e adicionais. Quando faço posts de tarifas específicas consigo postar o valor com taxas e adicionais inclusos.

Mas essa limitação não existe para as agências on-line nem para sites das cias aéreas que poderiam configurar seus sites para apresentar suas tarifas já com as taxas inclusas. Alguns sites do exterior apresentam tanto o valor da tarifa como o da tarifa com as taxas inclusas já na primeira página de resultados da busca. Em alguns países a tarifa só pode ser anunciada ao consumidor com seu preço final envolvendo taxas e adicionais.

No Brasil, o Decolar era um dos poucos que já apresentava o valor final com taxas na página consolidada de resultados da busca, mas optou por seguir a maioria e apenas oferecer a tarifa crua. Para conhecer o valor final da tarifa, você terá que muitas vezes ir além da primeira página de busca tornando o processo mais moroso e repetitivo se quiser comprar várias tarifas. Não sei se é a intenção,  mas essa prática generalizada das grandes agências on-line no Brasil dificulta a visão do consumidor sobre qual o valor final que ele realmente pagará pela passagem.

No próximo post vamos falar da política mais obscura ainda de taxas de alguns programas de fidelidade.

Category: ANAC, Cias Aéreas, Consumidor

Comentários (19)

Trackback URL | Comments RSS Feed

  1. Beto says:

    Rodrigo

    literalmente uma Engenharia precise ser feita para se descobrir o valor total, e isso pasta-se um bom tempo!

    Cotei um trecho na Europa londres x veneza valor do trecho 8 euros valor taxas 48euros.

    Abs e parabens pelo post

    Beto

    Responder

  2. Alexandre says:

    Concordo que algumas taxas são cobradas no Brasil e no entanto não sabemos onde são aplicadas. Prova disso está no Aeroporto de Porto Alegre. A diferença entre os Terminais 1 e 2 é vergonhosa. No entanto os passageiros dos dois terminais são cobrados da mesma maneira. Há até um video na internet(youtube) que mostra o tal terminal 2.http://www.youtube.com/watch?v=WhPJAaLe9Hg

    Responder

    Vinícius respondeu:

    Nossa! Isso ta pior que rodoviária!

    O Terminal 1 não é nenhuma maravilha, mas, esse aí é de dar medo!

    ¡hasta luego!

    Responder

    Marcelo respondeu:

    Vamos torcer para a infraZero não resolver da forma mais prática… deixar o terminal 01, igual ao 02.. rsrs

    Responder

  3. Rodrigo says:

    O que eu acho mais absurdo é quando vc cota uma passagem para o mesmo destino, com as mesmas conexões, nos mesmos aeroportos só que em companias diferentes e essas taxs muitas vezes não teem o mesmo valor. Na Tam constantemente as taxas ficam mais latas. Acho que existe algum critério na cobrança da taxa durante a conexão.

    Responder

    Rodrigo Purisch respondeu:

    Rodrigo,

    Você tem algum exemplo concreto? Estou em busca deles.

    Responder

    Miner respondeu:

    Para exemplo de taxas mais altas pela TAM, dê uma olhada num roundtrip BOG-GRU (saindo da Colômbia mesmo).

    Pela Avianca, o total de taxas é de ~252 reais, enquanto pela TAM é de 462 reais (por causa da taxa de combustível). No entanto, olhando o total com taxas inclusas, ainda sai 80 reais mais barato viajar pela TAM, apesar das taxas mais altas.

    Responder

    Rodrigo Purisch respondeu:

    Miner,

    Vou abordar isso no meu post sobre taxas e programas de fidelidade. Posso te adiantar que a resolução só proíbe a cobrança de adicional de combustível em passagens originadas no Brasil. Se a origem for fora, pode cobrar sim.

    Você já viu essa diferença em vôos partindo do Brasil?

  4. vinicius laruccia says:

    Ótima Matéria, sugiro fazer outra sobre as tarifas cobradas pelas companhias quando deseja tirar passagens com milhas, pois tive uma ingrata surpresa com a Lufthansa Mile&More e nunca mais irei acumular milhas com eles
    Tentei tirar varios trechos com milhas, mas muitas vezes as taxas (que não é claro o que você esta pagando) são quase o preço de uma passagem!
    Com eu tinha milhas a espirar tiver que gastar e tirei 2 passagens para Santiago/Chile e tive que pagar U$140 por pessoa, quando pedi para explicarem as taxas a atendente não conseguia, falou que ra taxa de aeroporto e eu disse que não, as taxas de aeroporto não deveriam passar de U$60… no final me falou que era imposto de venda ICMS e como eu não tinha outra opção, era emitir ou perder as milhas eu emiti as passagens, poderia fazer uma matéria comentando as melhores companhia e programas para acumular milhas, tanto por taxas quando por disponibilidade??? Abs e parabnes pelo site

    Responder

    Aline Lima respondeu:

    Vinicius,

    Supondo que a sua passagem foi pela TAM (baseada no GDS Amadeus), há maneiras de a atendente puxar o fare breakdown (Descrição da tarifa? Desculpe, não sei como se fala isso em português) e há comandos para descrever cada taxa. Como eu disse no post que o Rodrigo deu o link acima, eu sempre destrinchava as taxas para os passageiros incrédulos, simplesmente para não passar por desonesta (ou coisas piores). Eu não me importava nem um pouco, muito pelo contrário, adorava ver as taxas, já que numa próxima consulta de outro passageiro, eu já saberia o que era cada taxa. Saudades do tempo de agentes de viagem…

    Parabéns ao Rodrigo por mais um excelente post, que é muito esclarecedor!

    Responder

    vinicius laruccia respondeu:

    Oi Aline

    Eu emiti com a Lufthansa, direto pelo Miles and More, mas voei TAM pela parceria e por ela não voar o trecho
    Sinceramente não sei o sistema que ela utilizou e gostaria muito de saber o breakdown dos U$140 dolares que paguei
    Pois:
    Taxa embarque internacional de GRU = U$36
    Taxa embarque SCL = U$26

    O que são os outros U$78 que paguei??? se alguém souber por favor postar 😉

    Já emiti passagens pelo Smiles para Chile e Argentina, TAM para Venezuela, da AA, da Iberia e nunca paguei esses valores extras… por isso a partir de agora não acumulo mais milhas na Lufthansa…

    Responder

    Aline Lima respondeu:

    Vinicius,
    Qualquer em qualquer outro sistema também deve ser possível fazer isso (e a Lufthansa também usa o Amadeus).

    Na passagem, devem estar descritas as taxas e o fare construction ou fare calculation (uma sopa de letrinhas que só faz sentido quando se saber “ler” aquilo). Antes, quando as passagens eram azul e rosa, com papel carbono (TAT) ou mesmo o modelo mais novo, chamado de ATB, era mais fácil dizer onde isso estava marcado (exemplos aqui Agora, as companhias aéreas fazem os bilhetes eletrônicos com uma certa diferença uma da outra, então fica difícil de dizer onde as taxas estão listadas. Se conseguir achar, e tentar decifrar, nesse site há uma lista com os códigos de cada taxa.

    Mas sinceramente, os termos e condições do Miles and More diz claramente que você pode obter essas informações com eles. Pode ser que eles estejam combrando seguro aéreo. Enfim, se tem dúvidas, acho que o melhor é entrar em contato com a Lufthansa. Mas se a passagem já foi usada, não acredito que conseguirá um reembolso.

    Boa sorte!

  5. Vinícius says:

    Realmente a engenharia que contempla os valores trazidos às taxas aeroportuárias é de uma complexidade absurda.
    O valor dessa tarifa aeroportuária é pago pelas companhias aéreas internacionais com o objetivo de remunerar a INFRAERO pela utilização do aeroporto.
    Importante que este valor cobrado é contestado inclusive por algumas companhias aéreas. No entanto, as empresas que ajuizaram medidas judiciais tentando rever esses valores e não obtiveram exito nas ações.

    Responder

  6. Ernesto says:

    Mais um excelente post de utlidade publica. Parabens!

    Responder

  7. Milton Lucio says:

    Rodrigo,
    Parabens pelo post, muito esclarecedor. Realmente, esta taxas que aparecem no preço final da passagem são de assustar, principalmente nas cias. Low Costs estrangeiras. Por exemplo, na Westjet, uma passagem Montreal-Toronto custa CAD 29,00, mas as taxas e impostos agregados somam CAD 62,00 (mais que o dobro da passagem!), elevando o preço final CAD 91,00 !!! Mas isto vc só ver ao final do processo de compra…

    Igualmente obscuro são as taxas e impostos extras cobradas em aluguéis de carro, principalmente quando retirados nas agências do aeroporto…. dependendo da quantidade de dias que você irá ficar com o carro e se vc chegar em horário comercial, sai muito mais barato pegar o carro numa agencia no centro da cidade (downtown), por exemplo, mesmo somando o custo do taxi até lá.

    Abs,
    Milton

    Responder

  8. Rogério Albuquerque says:

    Parabéns Rodrigo,
    Finalmente alguém consegui entender, pq é mais parato ir para Paris de qualquer Cia diferente da Airfrance, Para Lisboa de qualquer diferente da TAP, Espanha, nunca de Ibéria e por aí Vai. Os voos diretos das Cias de cada pais, acabam tendo muito mais taxas que os voos com conexão para outro lugar.

    []’s

    Responder

  9. Rogério Albuquerque says:

    Rodrigo, já ia esquecendo de agradecer.
    Descobri que terei que fazer um curso na Finlandia, em meados de março. Claro que como não estava planejando, não tinha grana destinada para este fim.
    Mas graças as dicas da família do “Aquela Passagem” consegui juntar umas milhas no fidelidade TAM e emitir passagens de ida e volta (Viva a Star Alliance) usando 60.000 pts que é o mínimo p/ Europa. A Ida ficou meio complicada, GIG-LIS-FRA-HEL (Os primeiros dois trechos de TAP e o final de FRA p/ HEL com Lufthansa) e a Volta HEL-CDG-GIG (HEL-CDG de Blue1 e CDG-GIG de TAM) com direito a uma voltinha para compras em Paris, já que a coneexão é de 11 Horas.
    Só Paguei as Taxas, mas veja só: na Ida, com duas escalas, ou seja usando 2 aeroportos intermediários (LIS e FRA) ficou em R$ 158,68 enquanto a Volta, usando só o CDG ficou em R$ 310,30.
    Não estou reclamando do valor, mas achei a diferença relativa entre eles absurda.

    O melhor é que na volta, terei voado por quatro Cias diferentes e vou poder compartilhar a experi~encia com o resto da “família”.

    []’s e Obrigado
    Rogério

    Responder

  10. Fabio says:

    Ótimo post. Eu tinha uma curiosidade mórbida para saber o que seria a tal “taxa de combustível” .
    Essas taxas geram situações inusitadas e não apenas no Brasil. Meu exemplo :Vôo ORY/SXF/ORY. Preço do bilhete EUR 2,99 pela Easyjet. Preço das taxas EUR 18,00

    Responder

  11. David says:

    Achei um absurdo esta ATAERO. Desconhecia completamente esta informação. Obrigado pela informação Rodrigo.

    Responder

Deixe um comentário

Os comentários publicados aqui são de exclusiva e integral responsabilidade de seus autores. Comentários que julgarmos conter termos chulos, que não respeitem a opinião dos demais, que tratem de problemas comerciais individuais com terceiros, que promovam o comércio de milhas, que tragam termos preconceituosos, que sejam identificados como textos publicitários ou que visem apenas denegrir a imagem de terceiros serão moderados e/ou excluídos. Comentários sem identificação clara de seu autor (nome e/ou email válido) também poderão ser excluídos.