Transporte Aéreo: Será Que Temos ou Teremos O Quê Merecemos

19 de June de 2012 | Por | 2 Comentários More

Somos um país de dimensões continentais e com estradas em grande parte mal cuidadas e com um trânsito assassino. O transporte aéreo é uma das opções ao modelo rodoviário vigente e já passou da hora de avaliarmos uma política de longo prazo para ele. Não podemos esquecer que ele é uma concessão governamental e convive com um mercado ainda muito regulado (porém não fiscalizado).

Tudo o que se relaciona a aviação no Brasil (seja por parte do Governo, Infraero, cias aéreas e até pelos Estados e Municípios) é tratado sob a ótica de ações para solucionar problemas de curto prazo.

O modelo de privatização dos aeroportos foi feito a toque de caixa, mostrou-se aquém do que gostaríamos (os gestores dos aeroportos não gerenciam aeroportos modelos) e está sendo modificado com o carro andando. Até a IATA, uma associação que congrega as principais cias aéreas, mostrou-se preocupado com a privatização implantada no Brasil e citou a África do Sul (a operadora que ganhou Guarulhos, a ACSA, opera 9 aeroportos na África do Sul…) como exemplo do risco que o Brasil corre: aumento de tarifas.

O Galeão e Confins são os próximos da lista, mas o Governo ainda não conseguiu elaborar a fórmula ideal para atrair operadores de peso e que administram aeroportos modelo no mundo. É isso que merecemos e esperamos. Mas tudo tem que sair rápido porque não foi feito no passado e a Copa, e não a nossa população, precisa dos aeroportos em melhor estado. Os ganhadores das concessões estão anunciando novos terminais de passageiros. Será que serão terminais básicos visando suprir a demanda sem preocupações estéticas e sem criar uma filosofia de serviço. A idéia parece ser que estamos tão ruins que qualquer coisa já é um ganho. Ganho de curto prazo sim, mas estamos pensando apenas até os Jogos Olímpicos?

Chovem críticas sobre a capacidade de competição das cias nacionais diante das cias internacionais devido ao custo Brasil (principalmente combustível que reponde por cerca de 35% dos custos). As cias até chegaram a fazer propostas, mas o Governo não entendeu ser necessário. Não é hora de pensar se as mudanças vão ajudar a Gol ou a Trip/Azul, mas sim de fazer mudanças para criar um ambiente que suporte termos várias cias fortes competindo (não um duopólio), independente da origem do dinheiro, em um país deste tamanho e que possam prestar serviços atendendo vários nichos de mercado.

As cias aéreas por sua vez, não muito diferentes dos bancos nacionais, toda vez que vêem as margens caírem iniciam processos de cortes de custos, que para nós consumidores quer dizer corte de serviços. Não é necessário pesar a mão para não perder consumidores fiéis. Elas sabem, os consumidores normalmente não tem para aonde ir. Menos agora, quando as cias fundem-se reduzindo a competição interna. Lucro todas querem, serviço é secundário, pois como disse, não há aonde o consumidor procurar uma terceira opção em várias rotas e horários.

Salas vips fechando (tanto a Tam – as últimas foram as de Florianópolis e Recife – como a Gol – Porto Alegre e Curitiba) estão fechando progressivamente suas salas domésticas), cobrança por marcação de assentos, fim do serviço de bordo e a quase ausência de classe executiva em rotas internas mostra a tendência a redução de serviços. Não há propostas diferentes. As tarifas médias, por outro lado, não caem, já que as cias dizem que tem que garantir sua sobrevivência. Como consumidores dos serviços do Governo, elas raramente vêm à mídia fazer reenvidicações para melhorar os serviços e reduzir tarifas/impostos, as quais poderiam ganhar força com apoio popular. Mas a política do “você não me cutuca na frente dos outros que não te cutuco ou te fiscalizo mais seriamente” é mais importante em um país aonde manter boas relações políticas superam a necessidade um plano de desenvolvimento de longo prazo.

Já passou da hora de começar-mos a discutir políticas que ultrapassem o Governo do presidente X ou Y. Temos que começar a ter um plano de longo prazo que não se curve aos interesses econômicos e políticos de terceiros.

Sem isso, fico com grandes dúvidas se teremos o que merecemos no futuro. Certeza eu tenho é de não tenho o que mereço e pago hoje em dia.

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Category: Caos

Comentários (2)

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  1. Mais uma vez Rodrigo parabéns!!
    Vejo o transporte aereo em transformação no Mundo, um modelo de grande luxo e grandes empresas do passado indo por água abaixo. Iniciou com o fim da PANAIR, a menos tempo a falência da JAL e no panorama local Varig onde um modelo de favorecimentos a poucos e bons clientes, com rotas exclusivas e pouca concorrência. Com a popularização dos voos, o problema mudou, são mais passageiros, margens menores, variações cambial e petróleo.
    Uniões de grandes companhias globalmente é sinal disso ou rflexo disto? Será bom ao passageiro final? Não sei ainda tb.
    Surgiram novos Players Qatar e Emirates por exemplo, com um investimento de forma totalmente diferente, com governos as usando como modelo de desenvolvimento do turismo e bandeira nacional. MAs que no futuro podem cair no mesmo buraco de Jal, PANAIR e Varig.
    Já os aeroportos é triste e ridículo, podemos ficar horas discutindo e lamentando, muito contra para pouco pró.

    Amigo é Braziu, vamos ter que torcer, porque rezar os anjos e santos devem estar mais preocupados com os aviões que já estão voando com estas condições.

    Abração
    @GusBelli

    Responder

    Rodrigo Purisch respondeu:

    Gustavo,
    Uma tendência a uma redução do serviço é quase global, mas em muitos mercados do nosso tamanho existem propostas diferentes e vários players.
    Nós estamos virando mercado de uma proposta só e com cada vez menos players.

    O interessante também é que depois daquela crise, nada mais se falou em controladores e segurança de vôo. Problemas solucionados ou ësquecidos” por conveniência de cias aéreas e governo…

    Um abraço

    Responder

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