Uma Vegetariana Despreparada no Nordeste

24 de April de 2007 | Por | 17 Comentários More
Navegando pelos sites das cias aéras acabei por encontrar uma passagem promocional para o Nordeste que me permitia passar um final de semana de 3 dias em um mergulho intensivo em algumas praias de Pernambuco e João Pessoa. Isso mesmo 3 dias e um monte de lugares para ver. Coisa típica deste blogueiro que tem uma forma particular de viajar.

Já fui logo convocando minha fiel companheira de viagens para participar dessa empreitada. Malas prontas, hotéis e carro reservados e com o guia Freire’s de praias debaixo do braço fomos nós no corujão da TAM em direção a Recife. Era para sair às 0:30h, mas só saímos às 2 horas…. Chegamos em Recife às 4:15h meio que dormindo acordados. Depois de uma visita para conhecer o aeroporto – passeio de blogueiro especializado em passagens aéreas, seguimos em direção ao hotel. Fizemos nosso early check-in, banho e fomos direto ao café da manhã.

Minha companheira estava enfrentando sua primeira viagem desde sua conversão ao vegetarianismo. Nada de vegetariana muito radical, permite-se ovos e queijo. No café da manhã, se fartou de ovos mexidos e de generosas fatias de queijo coalho derretido entremeadas por frutas e pães.

Fomos em direção à praia da Boa Viagem em uma curta caminhada de 2 quarteirões. Nos deitamos a beira mar nas cadeiras da Maria do Tempero, que iniciara seu negócio na praia após ter sido despejada do mercado, onde vendia seus temperos, pelas obras do metrô. Enquanto eu tirava uma soneca, minha companheira se esturricava no sol das 8 da matina. Após uma soneca, uma “coca sem gordura”, como chamava a Maria as novas coca-cola zero lançadas recentemente por lá, outra soneca e uma cerveja encerrei minha praia lá pras 11:30hs. Fomos ao hotel tomar banho e enfim dormir por umas 2 horas, já que Recife nos aguardava.

Despertos fomos aos Prarraxaxá, onde carnívoro como sou, me vi alegremente cercado de buchada, carne de sol e bode por todos os lados. Minha companheira começou a entender que a vida de vegetariana pelas bandas do nordeste não é das mais fáceis. Quase todo arroz, farofa, ensopado de legumes levava algum tipo de carne. Para completar ela perguntou ao garçom qual dos pratos não tinha bicho morto?! O garçom, num misto de espanto e indignação, mostra pratos com peixes e frutos do mar. Coitado, além de ter de responder a uma pergunta tão mal formulada, não compreendia como alguém não comia nenhum tipo de carne. Com um pouco de esforço achou alguns pratos, nada regionais, além das saladas para o seu almoço


De lá fomos ao Recife Antigo, tomamos um maltado que ela acreditava, após tanto ler sobre o mesmo, ser uma versão melhorada do milkshake de Ovomaltine do Bob`s. Acabei por ter de tomar quase tudo sozinho. Terminamos a tarde no Paço Alfândega. Hora de retornar à Boa Viagem, para jantar, já que no dia seguinte iríamos madrugar.

Perto do segundo jardim, optamos por ficar no bar Boteco. Enquanto comia coxinha recheada com caranguejo, croquete de lula com camarão e por aí vai, ela ficava a fitar o cardápio à procura de algo vegetariano. Achou o escondidinho de queijo, mas segundo o garçom já tinha acabado. Optou pela Provoleta (fatias de queijo provolone derretidas acompanhadas de pão).

5:45hs da matina de domingo, hora de despertar! Porto de Galinhas nos espera! Café da manhã e lá vai minha companheira se entupindo de ovos e queijo. Check out, uma hora de estrada e estávamos em Porto de Galinhas e no pico da maré baixa. Passeio de jangada aos recifes. Cuidado com o ouriço! Na volta, esse blogueiro aproveitou de seu peso extra para equilibrar a jangada que adernava devido a um golpe do vento, pelo menos era a justificativa do jangadeiro. Passeio feito, fomos nós em direção a Maracaípe para continuar a seção de bronzeamento. 13:30hs, hora de partir! Olinda nos espera! Mas antes uma paradinha para conhecer o Enotel.

Após várias voltas dentro de Olinda e depois de nos esquivar dos diversos guias com textos decorados, acabamos por comer em uma feirinha em Olinda mesmo, já que iríamos para João Pessoa naquela mesma tarde e o tempo estava curto. Lá vai minha companheira procurar seu almoço. Achou? Claro! Tapioca de queijo com coco. Sobremesa? Tapioca de queijo com goiabada.

Seguimos em direção à capital da Paraíba. Fizemos nosso check in às 19:30 no hotel, tomamos banho e fomos ao Mangai jantar. De novo me vi cercado e muito feliz por buchadas, bode de todo tipo e carne seca. Minha companheira rodou, rodou e acabou por ficar no arroz com queijo, macaxeira e salada. Era hora de dormir. O litoral sul nos esperava na manhã do cia seguinte.

Meu café da manhã de segunda foi com carne seca, galinha ensopada, cuscuz e macaxeira! O dela? Tapioca de queijo, ovos e frutas.



Tambaba, Coqueirinho, Tabatinga e a Ponta do Seixas ocuparam nossa manhã e início da tarde. Voltamos a João Pessoa para conhecer a cidade, mas antes tivemos que procurar algo para comer. Segunda feira é um dia morto nos restaurantes de João Pessoa e a fome já era tanta que acabamos parando para comer na primeira lanchonete, onde ela optou por um sanduíche. De quê? Banana com queijo!

Rodamos a cidade e no final da tarde tínhamos de comprar 2 produtos regionais que não poderiam faltar.



Feito as compras, pôr-do-sol no Jacaré. Bolero de Ravel incluído. Jantar, banho e aeroporto. O corujão nos esperava para voltar para as Minas Gerais.

A propósito, os 2 produtos regionais que não podiam faltar eram o feijão de corda e o queijo de coalho!!. Santo queijo, o companheiro de viagem de uma vegetariana despreparada pelo Nordeste.

Category: Fora do tema pero no mucho

Comentários (17)

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  1. Jorge Bernardes says:

    Acho bem legal quando vc coloca algo fora do tema pero no mucho!!! Escreves bem!
    Coitada da sua companheira. Se continuar a viajar com vc, não vai conseguir manter o vegetarianismo.

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  2. Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens says:

    Rodrigo, está sensacional esse seu relato. Divertido e que faz a gente não largar e continuar até o fim. Saiba que eu vivo esssa “realidade”, pois minha mulher é vegetariana que não come NADA de carne de nenhum tipo, mas sim ovos, leite e derivados. Só que ela é extremamente rígida e controlada e não come também coisas que engordem (arroz, por exemplo, jamais a vi comer!). Pra ter uma idéia, em TODAS as nossas viagens ela leva yogurt no avião e numa geladeirinha dessas não rígidas dentro da mala (algumas vezes elas “ficam” no controle de agricultura…) e acompanham em toda a viagem. A dica que eu dou, de expert no assunto, é: procure restaurantes italianos em qualquer lugar do mundo (salada caprese e massas com ricota) e olhe sempre os cardápios nas portas dos restaurantes porque tendo salada e algum tipo de legume e de queijo ela está satisfeita, seja em que lugar do mundo for. Já eu, carnívoro sem restrição nenhuma, não encontr dificuldade para comer. PARABÉNS, tá bom demais!

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  3. Rodrigo Purisch says:

    Jorge,

    Obrigado.

    Arnaldo,

    Nós até que pensamos em restaurantes italianos, mas eu que não sou vegetariano não queria perder os bodes da vida…

    Mas como essas companheiras de viagem são pessoas muito importantes para nós, na próxima vou seguir seus conselhos.
    Um abraço

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  4. Rosa says:

    Todo dia meu marido tem que agradecer a Deus por ter me encontrado. Sou que nem Walita: topa tudo. Não sou exagerada, adoro boas comidas, mas topo um PF numa boa, se for preciso, sem frescuras. E, como ele diz, tenho um biotipo que conta ao meu favor, o ponteiro da balança oscila muito pouco nas nossas viagens. A exceção é para bebidas, só água, sucos e água de côco.

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  5. Anonymous says:

    Cara, muito legal o seu blog. To adorando acompanhar as suas viagens
    Catita
    http://www.catitausa.wordpress.com

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  6. Anonymous says:

    Rodrigo, eu comprendo muito bem a sua companhera. Eu adoro el queijo.
    Está riquíssimo por la mañana con un buen chá.
    Ate logo
    Carmen

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  7. Emília says:

    Opa! Novidade o blogueiro relatando suas próprias viagens…estilo conciso e muito divertido 🙂
    Pode continuar variando que a gente gosta…

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  8. Riq says:

    Tá muito divertido mesmo.

    Essa piscina natural das 8 da manhã deve ter sido fabulosa — pouquíssima gente, aposto.

    E o que você achou do Enotel? Tinha gente?

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  9. Rodrigo Purisch says:

    Rosa,

    Essa minha companheira, topa tudo também (meu jeito de viajar é andando o dia todo)e por isso é eu não ligo para essa conversão ao vegetarianismo. E viva o queijo!

    Catita,

    Obrigado

    Carmen,
    Hola! Riquíssimas são suas dicas no VnV! Não sei se você sabe, mas o estado de Minas Gerais, onde eu vivo é conhecido por seus queijos, doces e pratos típicos. Acho que é por isso que o vegetarianismo da minha companheira de viagem permite tanto queijo.
    hasta!

    Emília,

    Obrigado. Você, Arnaldo, Ernesto, Marcio e Diogo (a comunidade VnV como um todo) sempre me incentivam e eu agradeço por isso.

    Responder

  10. Rodrigo Purisch says:

    Riq,

    Elogio do mestre guru é sempre um prazer e orgulho!

    Olha, eu nunca fui no verão, mas eu posso dizer que não estava tão vazio assim o passeio. Ví muitos estrangeiros. A dica da tábua das marés foi salvadora, obrigado!

    Os vôos da TAP para Recife devem estar fazendo sucesso. Mas no verão deve ter mais gente que peixe nos recifes…

    Enotel: As fotos suas e do site (motivos que me levaram visitar o hotel) são mais bonitas que a realidade com sol a pino. É diferente visitar o hotel no início da tarde. Perde muito do projeto de iluminação.

    Achei meio vazio e como sou detalhista, notei que várias partes da picina interna estão perdendo a cobertura de pastilhas… Pressa em inaugurar com serviço não qualificado. Outras áreas devem estar sofrendo do mesmo problema.

    Dei uma olhada no Bufê e não achei nada demais, mas o funcionário do hotel me disse que no outro restaurante à noite são servidos jantares temáticos. O Spa ainda não funciona.

    Finalizando, se for olhar só o hotel, fico com o Marriot do Sauípe onde já me hospedei. Não é all inclusive (é map), mas all inclusive não faz bem para o meu corpinho… Além do mais, no Sauípe dá para passear pelos jardins e piscinas dos demais hotéis e no Marriot pode-se comer a la carte em 2 restaurantes. Se for olhar o preço, fico com o Marriot. Quanto a praia, a do Enotel parece melhor. Queria ir no Dorisol, mas o tempo estava curto.

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  11. Arthur says:

    Oi Rodrigo, vegetarianismo no Nordeste realmente é bem complicado, ainda mais no Mangai… Legal o post!
    Abraços

    Responder

  12. Rodrigo Purisch says:

    Arthur,

    Obrigado e um abraço!

    Responder

  13. Alexandre says:

    Rodrigo, fiquei até com dó da sua amiga vegetariana!! Fiz um roteiro parecido com este seu, porém com mais tempo! Rodei uns 850km entre João Pessoa, Recife, Olinda, Porto de Galinhas, Maceió e São Miguel dos Milagres, tudo relatado lá no “O que se faz”.

    Parabéns pelo relato e fotos excelentes!!

    Um abraço!
    Alexandre

    Responder

  14. Rodrigo Purisch says:

    Alexandre,

    Essa viagem é muito boa e a sua deve ter sido melhor ainda!

    Era a primeira viagem depois da conversão ao vegetarianismo dela. Acho que na próxima já estaremos mais descolados. Frutas e pães, barrinhas de cereais….. O pior é que eu sou carnívoro e fico sem ter como dividir os pratos…

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  15. Luciana says:

    pqp..ri demais do seu jeito de contara história da vegetariana que nao queria nada que tivesse bicho morto,,rs,,,acabei entrando em seu blogg para saber sobre pacotes pra Europa e to dando uma fuçada….muito bom, abraços Lú

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  16. Pedro says:

    Estou com minha esposa em Bonito – PE. Já passamos por Natal, Pipa, João Pessoa e Olinda. Também não comemos animais há 9 meses. Achamos lugares muito interessantes pra visitar na hora de se alimentar pra repor as energias da viagem. Se um dia for a Natal, não deixe de ir no excelente Magias da Terra (self-service). Na cidade tem o Novo México com pratos Animal Free, também. Em Pipa fomos em dois muito bons: Oba Yakisoba e Casa Nostra (Italiano). Em João Pessoa tem o Flamboyan (self-service) e o DNA Natural (saladas e wraps). Olinda tem uns 3, mas poucos funcionam a noite, Fomos no Aloma Bar e conseguimos beringelas a parmegiana e caldo de feijão delicioso. Todos esses lugares com opção sem queijo. Se sua esposa virou vegetariana por causa dos maltratos com animais, é importante ela tentar reduzir ou até parar com os derivados, pois carne é morte, mas derivados como leite, queijo e ovos significa animais encarceirados sob condições muito limitadas e precárias vivendo apenas para o lucro humano. Não é muito fácil, principalmente quando se está viajando pelo nordeste. Se ela se interessar, no portal http://www.vistase.com.br tem muita informação indispensável para essa nova vida sem animais mortos no prato. Namastê. \\//_

    Responder

    Rodrigo Purisch respondeu:

    Obrigado pela dica.

    Responder

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