Venda de Refeições à Bordo Avança Timidamente no Brasil. O Que Esperar?

28 de July de 2010 | Por | 29 Comentários More

Muitas cias têm reduzido o serviço de bordo alegando que o peso e o espaço ocupado pelas refeições, além dos custos associados a sua confecção dentro dos padrões aeronáuticos e da logística envolvida, tornam o preço das passagens menos competitivos. Quanto mais peso, mais combustível se gasta e quanto menos espaço ocupado pelas “cozinhas” (galleys) dos aviões, mais assentos podem ser instalados. Isso tudo sem falar no custo Brasil…

A opção de algumas foi continuar servindo refeições como uma forma de se diferenciar das demais cias aéreas em termos de serviço. Um exemplo por aqui é a Avianca Brasil que sempre chama a atenção para esse diferencial nas entrevistas dadas à mídia em geral, mas que tem um site horrível e que nada faz para divulgar isso…

Outras optaram por oferecer um serviço mais espartano ou até não oferecer nenhum tipo de serviço incluído. A low cost americana Spirit e a irlandesa Ryanair são exemplos, já que aboliram o serviço de bordo quase por completo. Se você quiser alguma coisa, de bebidas ao amendoim vai ter que recorrer as opções disponíveis para venda. O americano, que já se acostumou a isso, compra alimentos nas lanchonetes dos aeroportos, sendo que alguns tem áreas que podem ser comparadas a praças de alimentação de shoppings pequenos, e faz um verdadeiro piquenique nos vôos mais longos. Um festival de odores de todo tipo de comida nos ares!

Para tentar agradar gregos e troianos, algumas cias aéreas passaram a vender opções de refeições/lanches nas aeronaves.

Refeições podem ser dispensáveis em vôo curtos, mas em um país de grandes dimensões como o Brasil e se tratando de transporte aéreo que requer normalmente longos deslocamentos até os aeroportos e antecedência de chegada, esse item não é assim  tão dispensável em uma boa parte dos vôos. A opção de comer no aeroporto no Brasil é limitada pelos preços cobrados pelas suas lanchonetes e restaurantes, normalmente muito acima dos praticados nos centros comerciais dentro das cidades.

Então o que esperar desses menus de venda à bordo?

A Gol foi a pioneira na venda de alimentos a bordo. O seu cardápio atual inclui refrigerantes, sucos, cafés, chás, sanduíches e combinados, além de castanhas, chocolates, batata chips e outras pequenas guloseimas. O cardápio é claro, traz a quantidade contida nas embalagens de alimentos sem um padrão claramente identificável pelo consumidor. Existe também uma opção Kids (pão de forma branco grelhado, queijo cremoso, presunto e queijo prato).

Vale lembrar que o serviço básico baseado em biscoitos e refrigerante em copo não foi abandonado.

A Webjet vai iniciar testes de venda de produtos em breve em apenas uma rota, São Paulo/Salvador. As opções da Webjet incluem sanduíches e combinados, sopa em copo, castanhas, chocolates, batata chips e outras pequenas guloseimas. O cardápio não faz menção a bebidas fora dos combinados e nem traz quantidade contidas nas embalagens de alimentos sem um padrão claramente identificável pelo consumidor. Chama a atenção ainda o fato do sanduíche nomeado como light ser feito com croissant, uma opção bem calórica, e de que os preços estão acima dos praticados na Gol. A opção de chiclete no cardápio também poderia ser abolida para o bem dos estofados e da higiene das aeronaves (os bons usuários pagam pelos maus neste caso).

Tomara que a Webjet venha a fazer ajustes durante essa fase de teste, já que uma empresa que quer ser conhecida com low cost e low fare não pode vender produtos com preços superiores a da concorrência. Preços mais acessíveis seriam inclusive um chamariz para o novo passageiro que trocou o ônibus pelo avião. Não é porque ele paga caro nas paradas do ônibus é que ele tem que pagar também nos ares. Hora de mudar a lógica, até porque o deslocamento até uma grande parte dos aeroportos não é tão barato assim.

Para efeito de comparação vou citar alguns menus de cias aéreas que se autonomeiam low cost e low fares.

A Jetblue, cia aérea na qual a Azul foi inspirada, além de oferecer um menu de bebidas e snacks já incluidos, passou a oferecer recentemente algumas caixas de guloseimas que compostas de formas variadas a fim de atingir públicos diferentes. As combinações podem incluir frutas secas, biscoitos, chips, torradas, salame, dips, até uma combinação de queijos. As caixas são vendidas por 6 USD cada e são feitas para agradar ao público americano.

Na Spirit, o cardápio inclui apenas bebidas alcoólicas e não alcoólicas e alguns poucos snacks do tipo biscoito, batata Pringles, M&M e Cup Noodles. Nada de sanduiches ou algo mais saudável.

Já a alemã Air Berlim, além do seu serviço básico que inclui bebidas e snacks oferece pratos gourmets. Esses pratos são vendidos a partir de 8,50 Euros  (Penne com molho de tomate, manjericão e parmesão), mas a maioria custa cerca de 9,90 Euros. Querer ser gourmet nos ares sai caro.

A maior low cost asiática, a Air Asia oferece uma variada gama de opções que inclui bebidas, guloseimas, sanduíches, cachorro quente, pão pizza, pequenos pratos orientais ou combinados, cup noodles e por ai vai. O cardápio é bonito e até dá vontade de provar alguns pratos (a partir de 90 THB ou cerca de 4,90 reais) e tem bons preços. Um modelo a ser copiado. Não há opção de cerveja ou bebidas alcoólicas no cardápio. A cia parece ter decido ganhar em volume e não em preço, já que também aboliu o serviço de bordo incluído no preço da passagem.

A inglesa Ryanair oferece um menu com que inclui cervejas, sanduíches, pizzas, bebidas não alcoólicas e alcoólicas variadas (até champanhe), guloseimas e uma série de snacks e bebidas rotuladas como escolhas saudáveis. Sanduíches podem ser encontrados a partir de 5 euros. Além dos preços (a Ryanair vende a passagem a preços baixos mas cobra tudo o que pode nos extras), pesa contra a Ryanair as constantes reclamações sobre a qualidade das refeições oferecidas.

O que as nossas cias cobram é um preço justo? Está caro ou está barato? Fiz uma pequena tabela comparando os menus.

Eu sempre acho que o poder de compra dos meus suados reais está mais para o do Bath tailandês do que para o Euro como sugere a tabela, mas se for pelo índice Big Mac, eu é que estou subvalorizando meus reais. Se bem que há grandes chances mesmo é do Mc Donalds andar cobrando muito pelo que oferece aqui no Brasil…

Quer saber mais sobre refeições servidas nos ares e a opinião de pessoas como você? Não deixe de visitar o Airlinemeals.net, um site que andou adormecido e que voltou a ativa recentemente.

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Category: Cias Aéreas, Consumidor, Para um vôo tranquilo

Comentários (29)

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  1. Antônio José says:

    kibom.

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  2. Reginaldo Pereira says:

    Resposta correta! Vale 1 barrinha de ceral!!

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  3. bruno says:

    se depende de mim as companhia vao falir se depende da minha compra de lanche eu ja vou cheio do wisk, quando viajo falo aeromoça wiak por povo ou cerveja pro povo rsrsrsrs daqui a pouco banheiro no brasil vai ser cobrado nao duvido nada nessa exploraçao que é o brasil, tudo é movido a dinheiro.

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  4. Pedro says:

    Comentário extremamente relevante…

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  5. Cinthia Rangel says:

    Gente,
    Cadê o Rodrigo? Ele tá sumido!
    Ab,
    Cinthia.

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    Rodrigo Purisch respondeu:

    Cinthia,

    Se for eu, estou e não estou aqui ao mesmo tempo 8)

    Pela falta de tempo, tenho agido mais com ser iniciador da fogueira jogando temas do que propriamente interferindo nelas. As discussões dos comentários muitas vezes são mais interessantes do que a minha opinião pessoal sobre um determinado tema.

    Um abraço

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  6. Ernesto says:

    Off topic, mas de interesse de todos, fonte cliping da Associaçao dos advogados

    Flexibilização de regras na bagagem do viajante

    Com cada vez mais brasileiros viajando ao exterior, a Receita Federal vai facilitar a entrada de objetos de uso pessoal nas alfândegas e acabar com a declaração de saída temporária de bens importados, como câmeras fotográficas, notebooks e filmadoras.

    Portaria do Ministério da Fazenda, que será publicada hoje (2) no Diário Oficial da União – e passa a valer a partir de amanhã –, permite que o viajante saia e entre novamente no País com um bem importado, precisando apenas levar na viagem a nota fiscal de compra e apresentá-la na aduana, se o fiscal solicitar.

    Os bens trazidos na bagagem e considerados de uso pessoal não entrarão mais na cota de US$ 500 (limite para via aérea) e US$ 300 (via terrestre), que o viajante pode trazer com isenção de tributos. Itens como roupas, sapatos, relógios, produtos de beleza e de higiene não entram na cota.

    Nos casos de câmeras fotográficas e celulares, o viajante precisa provar que comprou os produtos para uso profissional. O benefício vale apenas para uma unidade de cada produto. A nova regra não vale, no entanto, para filmadoras e notebooks.

    O secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, disse que a flexibilização das regras para bagagem vai diminuir as filas nas aduanas e facilitar o trabalho dos fiscais. A medida também faz parte de um acordo assinado pelo Brasil no âmbito do Mercosul, em 2008, que unifica as regras para bagagem.

    O coordenador-geral de Administração Aduaneira, José Tostes Neto, explicou que o viajante que adquirir um celular ou uma máquina fotográfica durante a viagem e quiser entrar no País sem usar o limite da cota de isenção precisa mostrar que a compra foi feita para uso profissional. “O viajante tem de mostrar que precisou do equipamento enquanto estava no exterior”, disse. Ele explicou que notebooks e filmadoras ficaram de fora da categoria de uso pessoal, porque uma liberação agora poderia provocar distorções no mercado interno.

    Adriana Fernandes
    (Colaborou Edison Veiga)

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  7. John Halley says:

    Eu já viajei pela air asia saindo da Australia
    foi muito trash a viagem pq o acento não reclinava, se quisesse ver programação na tv tinha que pagar e nada de comida
    no final acabei comendo pq 7 horas é difícil sem comer nada
    na volta comprei pela quantas pq não consegui cancelar nem alterar minha passagem pela air asia oq mesmo perdendo o valor saiu ida e volta quase metade do preço do que paguei a volta pela quantas em um avião nada excepcional depois de viajar com a Emirates o padrão muda um pouco hahaha
    agora o valor da Air Asia é excelente
    aviões novos viajaria de novo mais torceria para não ter imprevistos e ter que mudar a minha data de volta.

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  8. Harpia says:

    Hoje voei de Webjet entre CWB e GRU. Vi pela primeira vez o tal serviço de bordo pago. O 737 devia ter uns 100 passageiros. Uns 10 pediram o serviço. Maioria foi de lanches e bebidas.

    Gosto de aviação mas não entendo de rotas de vôo. Hoje esse 737 voou bem devagar (inclusive na subida) e por rota acima do oceano (normal é por terra próximo ao litoral). É possível uma companhia aérea ou piloto fazer um plano de vôo para voar mais devagar e economizar combustível? E tbm dar tempo suficiente para vender serviço de bordo? É que na descida (já encerrado o serviço de bordo) o 737 manobrou de uma forma bem mais abrupta do que normal para pousar rapidinho. Alinhou com a pista de GRU na divisa entre Guarulhos e São Paulo qdo o normal é vir quase do Pico do Jaraguá.

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