Voar ou Não Voar com GOL/Varig Para o Caribe, Eis uma Questão Muito Pessoal!

13 de February de 2011 | Por | 63 Comentários More

Refleti um bocado antes de escrever este post, pois não queria ser injusto, influenciar indevidamente outros leitores e ao mesmo tempo explicitar minha opinião pessoal.

No final de novembro e início de dezembro de 2010, eu fiz dois vôos de/para o Caribe com a Gol/Varig. Fiz um Brasília/Curaçao e um Punta Cana/São Paulo, mais conexões, já que parti de Belo Horizonte.

Minha avaliação acaba não sendo a ideal já que usei como referência alguns vôos que fiz recentemente com a Lan em B767 (Rio/Miami/Rio e Miami/Punta Cana), Tam de A320 e A330 (São Paulo/Buenos Aires), American B757 e B767 (Bogotá/Miami e Miami/São Paulo) e Azul de EMB 195 (Campinas/Fortaleza). Tentei deixar de lado vôos curtos que fiz nas low cost e low fare Spirit, Southwest e Webjet, já que não considero a Gol uma Low Fare de verdade como essas cias são. Ai começa o primeiro problema, já que o mais justo seria comparar esses meus vôos para o Caribe com vôos operados pela Copa, Taca ou mesmo Lan com aeronaves menores, mas não tive a oportunidade de voar nessas cias (apesar de querer muito até para poder ter uma opinião mais sólida de como é voar longas distâncias em aeronaves menores, ou narrow bodies).

Outra coisa importante a ser dita é que nossa vida é feita de fases e momentos. Eu topo qualquer tipo de vôo para testar ou quando a grana está curta, mas no momento atual tenho escolhido melhor as aeronaves em que vou voar longos períodos procurando maior conforto e serviços. Assim, sempre que posso, escolho aeronaves maiores e de preferência com sistema de entretenimento (o que ajuda muito a quem tem dificuldade dormir em aviões e a acalmar outros membros da família).

A escolha dos vôos da Gol se deu pela necessidade de queimar um bom conjunto de milhas que estavam expirando por motivos alheios a minha vontade e também para conhecer esses novos vôos da Gol/Varig. Falo Gol/Varig porque parece que há uma crise identidade entre as duas cias nesses vôos, já que as aeronaves tinham pintura Gol, os comissários vestimenta Gol, mas parte das refeições foram servidas em embalagens com a marca Varig e os comissários costumavam referir-se ao vôo como vôo Varig. Vai entender… Fica parecendo que estão procurando um jeito para falar que a Varig não morreu…

Compra das Passagens

Emiti minhas passagens usando 15 mil milhas por trecho com 3 meses de antecedência e vi uma boa disponibilidade de assentos (emiti mais de uma passagem). O processo só não foi perfeito porque na hora do pagamento das taxas o site deu problemas e tive que mofar no call center por uns 30 minutos (era dia de alta demanda no Smiles, último dia do mês) para pagar a taxas. Só fiquei chateado ao ver que o Smiles lançou uma promoção apenas para alguns associados, dentre os quais não me incluiu, permitindo emitir trechos semelhantes ao que tinha emitido com um número muito inferior de milhas e para voar na mesma época para qual emiti minhas passagens. Não se ganha sempre, mas definitivamente não gostei desse tipo de promoção exclusiva para uma parcela dos associados independente de seu status no programa e principalmente porque quem é fiel tem sempre milhas vencendo.

De bom, o fato do Smiles permitir a emissão de trechos independentes. Dessa forma, emiti uma ida Belo Horizonte/Curaçao com uma longa conexão em Brasília e uma volta Punta Cana/Belo Horizonte com conexão em São Paulo. Minha idéia era triangular a ida de Curaçao para Punta Cana por Miami. Foi o que fiz.

Brasília/Curaçao

Vamos dizer que já peguei o vôo cansado, já que tinha feito uma conexão de mais de 5 horas em Brasília (sem direito a sala Vip Smiles ou Diners naquela aeroporto) e de ter acordado bem cedo para pegar o vôo BH/Brasília. O vôo foi operado com um B737-800 padrão Gol , o PR-GTA  de cerca de  4 anos de uso (veio direto para a Gol). Espaço e inclinação da poltrona já é conhecido pela maioria dos leitores. O avião partiu com cerca de 60 a 70% da ocupação em um sábado.Vôo diurno com muitas crianças.

De entretenimento, nada! Nem a revista da Gol existia nas três poltronas da minha fileira.

Serviço de bordo

Foi servido um sanduíche (fraquinho por sinal) com bebidas no início do vôo e um snack tipico Gol mais para o final do mesmo.

O único porém é que o vôo pousava as 19h em Curação e até você chegar no Hotel, passando por imigração, alfândega e locadora, eu ia acabar chegando lá para as 21hs no Hotel e ainda sair para comer alguma coisa… Comissárias com serviço correto, mas sem destaque. Do piloto, pouca informação sobre o vôo ou como estava o tempo no destino ao se aproximar de Curaçao.

Demos azar e chegamos em um horário próximo de um B767 vindo da Europa… Assim a fila de imigração foi longa. Pior foi a alfandega que tinha uma fila enorme que andava lentamente até que acabaram liberando quem já estava há uns 25 minutos na mesma sem inspeção alguma. Mas isso não tem nada haver com o serviço prestado pela Gol.

 

Punta Cana/São Paulo

Essa era minha segunda vez em Punta Cana e pela segunda vez vi que a Gol ainda era desconhecida da maioria dos taxistas locais.

O check in era realizado por terceirizados da Swissport. Não identifiquei ninguém da Gol naquele local. Serviço seco e pouco cuidadoso, dando ao entender que os funcionários queriam mesmo é sair dali rápido.

Confinados em pé

Sala vazia...

 

O embarque, só anunciado em espanhol, foi caótico, sendo solicitado que todos os passageiros apresentassem-se ao mesmo tempo (nada de prioridade para quem tem necessidades especiais, quem viaja com crianças de colo ou portadores de status elite no Smiles) para ficarem esperando em pé  todos juntos por mais alguns minutos até poderem ir andando para a aeronave. De bom, o fato do embarque ter sido realizado pelas duas extremidades da aeronave (o aeroporto não tem fingers). Acho que vale uma revisão dos procedimentos locais pela Gol até para zelar pela marca, já que não se tratava de nenhum vôo de charteira com preços super reduzidos de pacote europeu.

O vôo foi realizado em um B737-800 Gol prefixo PR-GIX com cerca de 9 anos de uso (ex Mandarin Airlines e China Airlines) e desde maio de 2009 na Gol. Ele era equipado com a Classe Comfort (não me convenci ainda que vale a pena pagar mais por ela) separada da econômica por uma telinha no corredor.

 

Classe Comfort

Divisão de Cabines

Posso estar errado, mas achei que as poltronas dessa aeronave, além de ter apoio lateral de cabeça, reclinavam um pouco mais do que as do vôo para Curaçao. O vôo fez uma escala em Caracas onde um bom número de passageiros desembarcaram (ela tem um bom preço nesse trecho) e partiu lotado de Caracas com direção a São Paulo.

Nada de entretenimento, de novo. A revistinha da Gol também não deu o ar da graça neste vôo.

Como o número de mantas era inferior a demanda (não existiam travesseiros), a comissária chefe optou por elevar a temperatura da aeronave como um todo.  O resultado do clima seco da aeronave com essa temperatura: fiquei com uma sede danada!

Os comissários eram solícitos e educados, mas pouco atentos aos procedimentos. As instruções de emergência para quem sentava nas primeiras cadeiras da econômica foram dadas através da tela que as  separava da classe Comfort. Eles mostraram ter dificuldade em realizar o serviço de bordo nos prazos apertados que esse vôo oferecia.

Serviço de bordo

Foi inicialmente servido um sanduíche quente (fraquinho de novo) com bebidas (sempre oferecido um repeteco) no trecho Punta Cana/Caracas.

Já o trecho Caracas/São Paulo foi oferecido jantar pouco apetitoso (até hoje não sei o que tinha na salada – recipiente amarelo – que não era acompanhada de tempero), no qual salvava apenas uma torta/mousse de maracujá, e  depois um sanduíche quente com bebidas de café da manhã.

Aqui temos um ponto controverso do tipo se não dá comida você reclama e se dá você reclama também!

Primeiro, a refeição deste vôo estava em nível próximo ao que a Lan oferece, o que não é uma grande vantagem (essa foi minha ressalva a voar Lan)… Nos meus últimos vôos, a refeição servida pela Tam em um trecho Buenos Aires/São Paulo foi de longe a mais agradável que comi.

Mas aqui o problema não foi a qualidade da comida, mas sim o tempo gasto para servir e recolher um jantar e um café da manhã em um vôo lotado (além do tempo gasto na distribuição dos papéis de alfândega). O vôo Caracas/São Paulo tem duração de cerca de 6 horas. Assim, devemos ter ficado na penumbra (que facilita a soneca) por apenas  2h a 2:30h tornando o vôo bastante cansativo, na minha opinião. Essa é uma equação difícil de resolver, já que a aeronave contava com um comissário apenas para cuidar da Comfort Class e os demais ficavam por conta da econômica lotada. Como se trata de um vôo noturno de média/curta duração, talvez seria o caso de ter um serviço otimizado a fim de favorecer o descanso daqueles que tem a facilidade de dormir em aeronaves, já que não havia nenhum tipo de entretenimento.

Minha avaliação final

A Gol sai na frente ao oferecer vôos diretos de três pontos no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília) com direção ao Caribe, facilitando o acesso a essa nova fronteira de desejo do viajante Brasileiro. Oferece um serviço semelhante ou até melhor que oferece na maioria de seus vôos nacionais. Associados Smiles tem a possibilidade de emitir passagens para o Caribe usando um pouco mais de milhas que gastaria para emitir um vôo dentro da América do Sul na tabela normal de emissão.

Agora, se eu faria esses vôos de novo pagando em dinheiro a passagem? A resposta a essa pergunta é complexa. Como não moro em uma cidade atendida com vôo direto para o Caribe (Belo Horizonte recebe apenas um charter), o apelo vôo direto perde seu atrativo, muito mais quando se vê os tempos de conexão com os vôos domésticos para Belo Horizonte. O segundo ponto, como já disse no início do post, prefiro voar em aeronaves maiores normalmente com poltronas que reclinam um pouco mais e com sistema de entretenimento individual. O terceiro ponto é que as tarifas oferecidas pela Gol e o número de vôos semanais não se destacam diante da concorrência que realiza vôos via América do Sul, Central ou EUA, sendo que alguns desses partem de Belo Horizonte.

Dessa forma, acho que no caso de ter que pagar uma passagem com dinheiro, escolheria uma outra cia  mesmo que com um vôo mais longo, mas que me oferecesse mais conforto e possibilidade descanso e entretenimento, já que o dia do vôo é quase um dia perdido mesmo devido aos deslocamentos.

Mas o que não preenche minhas atuais necessidades pode preencher sim as necessidades de muitos leitores e esses vôos podem ser uma opção interessante para muitos deles e devem ser levados em conta no momento de avaliar as opções disponíveis para chegar ao Caribe.

Agora, falta fazer vôos na Taca e Copa para comparar o serviço prestado em aeronaves menores em vôos de médio curso. Assim posso ser mais justo com a Gol. Atualização 09/06/11: Leia aqui minha avaliação dos serviços da Copa na rota Belo Horizonte/Cancun.

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Category: Cias Aéreas, Trip Report

Comentários (63)

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  1. Rodrigo Purisch says:

    O único problema é que CCS não é um destino de conexão que atrai público… Mas se a Gol quer transformar Caracas em HUB (olha que peguei um vôo de Punta Cana que bem uma metade desceu em Caracas), pode ter sucesso. Mas tem que virar Hub e criar a Gol Venezuela dentro do espirito Chaves, se não ele desapropria, mais ainda se achar que é da Delta…rsrs

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  2. Rodrigo Purisch says:

    Está uma boataria muito grande. Em breve devem ter que esclarecer isso, até porque a Gol tem ações em Bolsa.

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  3. Cara muito obrigado por compartilha essa ” Experiencia ” eu estou entrando em ferias e minha mae deixou eu escolher o destino, ja fiz GRU – MIA pela American e depois MIA – JFK de United, agora estava pensando em ir para Lima ou Punta del este, so que algumas opções de voos teriamos que ir até MMMX, dai me indicaram a GOL… que seria um vôo legal, depois que vi isso deus que me livre, e como falaram acima, a COPA tem 737’s e ERJ 190 preparados, não são ” latas ” como os 737’s da GOL, se ainda a GOL estivesse com os 767’s da VARIG até poderia tentar a experiencia, mais de GOL não… não que sejam ruim, como futuro piloto e piloto virtual, os 737 da GOL são até legais para curtos ( Rio – São apulo ) mais longos…

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