Divagações de um Início de Viagem: Galeão, Novos Consumidores e Gol no Ar

13 de novembro de 2011 | Por | 31 Comentários More

Na maioria das vezes que este site vive uma fase de poucos posts, a culpa é de uma viagem que irá começar ou de uma que terminou. Tenho sempre que tirar o atraso de serviço no trabalho que paga as contas para depois poder respirar mais aliviado e produzir para este site/blog.

Desta vez fiquei espremido entre uma viagem que acabou (ao Havaí) e outra que está iniciando agora em direção à Ásia. Os mais antigos sabem o tanto que gosto dessa aérea do globo.

Esta viagem que se inicia será realizada usando uma passagem cujos vôos pudessem oferecer algo diferente para mim e por resultante gerar posts aqui no site. Vou voar de econômica no A330 e B777 da Tam (primeira vez que vou à Europa com ela), com um A380 da Lufthansa e um A340 da Cathay. Mas como terei companhia nessa viagem, poderemos ter textos também sobre o A380 da Emirates e o A380 da minha querida Singapore.

Será uma viagem de vôos longos e conexões idem, mas espero que muito proveitosa.

Como moro em Belo Horizonte, parti de BH com um vôo da Gol razoavelmente cheio, provavelmente devido a boas promoções que a Gol fez nas últimas semanas (comprei uma BH/RIO, só ida, por 30 reais). Uma boa parte dos passageiros parecia ter pouca afinidade com os ares. Eu gosto muito dessa inclusão aérea e vejo nosso futuro por ai, mas junto com esse processo de aproximar as passagens aéreas dos preços das passagens de ônibus ficou faltando uma um processo educativo.

Viajar de avião envolve um conjunto de regras mais rígidas, por peculiaridades da operação das aeronaves. Muitos dos novos passageiros embarcam e voam sem prestar atenção alguma às regras de segurança, como se as mesmas estivem lá apenas para atrapalhar sua vida como as demais leis que temos no país.

Os atos de atar os cintos e mantê-los afivelados durante o vôo, colocar as cadeiras na posição correta, deixar abertas as cortinas das janelas, desligar aparelhos eletrônicos no momento da decolagem, aprender como usar os equipamentos de emergência, entre outros procedimentos têm fundamentação prática e muito íntima com a segurança de cada passageiro e dos que voam com ele.

Quem inclina a poltrona durante a decolagem ou pouso acaba reduzindo o espaço do passageiro atrás caso seja necessário uma saída de emergência durante esses procedimentos mais sujeitos a riscos. Ignorando essa regra, ele coloca em risco o outro e não ele! Não usar o cinto pode fazê-lo voar durante uma turbulência não prevista (sim, elas podem ocorrer por maior que seja o zelo da tripulação) e vir a chocar-se com outros passageiros. Usar aparelhos de som com fones de ouvido durante a decolagem ou pouso pode fazer com que um passageiro não entenda uma recomendação dada pela tripulação diante de algo inesperado.

Passou da hora da ANAC e das cias aéreas empenharem-se em campanhas assim. Por mais que falar de riscos de voar possa amedrontar as cias aéreas, prevenir é melhor que remediar. Isso sem contar que evitaria a falta de humor (até compreensível) com que parte dos comissários tratam alguns desses novos usuários pouco educados com relação aos procedimentos de vôo.

Acabei testando, sem esperar, o novo sistema de entretenimento da Gol, o Gol no Ar. Tentei acessar com um smartphone com Symbiam, mas a coisa não funcionou direito. Usei um Ipad e acessou tranquilamente a rede sem fio. Não consegui ver nenhum vídeo (não abria), não sei se por culpa do sistema ou minha, mas acessei a parte de áudio que continha um ótima seleção de músicas (mesmo tendo em mente que quem tem um Smartphone ou Ipad acaba tendo uma boa coleção de músicas e filmes que anda com ele nesses dispositivos). O vôo era muito curto e não consegui aproveitar muito a novidade. Dei uma caminhada pela aeronave para fazer uma pesquisa informal sobre o uso do sistema. Infelizmente, não vim um grande número de passageiros usando o mesmo, talvez porque o perfil do público daquele vôo fosse diferente daquele que o sistema quer atingir.

O Galeão continua muito longe do que ele merece ser e do que ele deve ser diante de sua importância como porta de entrada de um centro turístico como o Rio e do fato de ser no futuro não tão longínquo uma sede de competições importantes de nível mundial. Será que tudo vai ficar para última hora e será feito a toque de caixa privilegiando a velocidade à qualidade e preço. Até quando? O terminal 1 é uma vergonha e o terminal 2 está longe do que deveria ser.

Na imigração apenas dois guichês e uma grande fila fora do horário de pico. Um dos guichês ainda tinha que dar suporte à liberação das tripulações…. Quando fui atendido no guichê, a atendente me perguntou se tinha certeza se queria entrar para a área de embarque com cinco hora de antecedência, já que era caminho sem volta (não se pode mais sair) e que a área não tem muito suporte (“lá não tem nada”, eu ouvi)… Sorte que tinha acesso a uma sala vip que mais uma vez virou um refúgio dentro do caos e da exploração que são nossos aeroportos.

Atualização 14/11/2011: Quando me desloquei para o portão de embarque, descobri que estava chovendo lá fora de uma maneira não muito agradável. Escorreguei, e por pouco não caí, em um das várias poças d’água formadas por goteiras no teto do terminal 2 e no finger que usei para entrar no meu avião. Uma vergonha! O interessante foi ver um vôo da Lufthansa e outro da Tam embarcando quase ao mesmo tempo e para um mesmo destino: Frankfurt. O vôo da Lufthansa me pareceu mais cheio, mas ele acabou de ser lançado e desde seu anúncio foram feitas várias promoções de tarifas. Seria de se perguntar porque duas cias da mesma aliança operam vôos para o mesmo destino em horários com cerca de 30 minutos de diferença (um diário e outro 3 vezes por semana)? Mas também existe a dúvida se ambas vão continuar na mesma aliança após a finalização da criação da Latam (Lan + Tam)?

Espero poder fazer boas matérias nessa viagem. Obrigado pelas visitas mesmo com esse ritmo atípico de publicação que estamos vivendo nos últimos dois meses. O Twitter do Aquela Passagem (vide o alto da coluna à direita do site) continua sendo atualizado mais frequentemente.

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Category: O Blog e Amigos

Comentários (31)

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  1. Regras são regras, e também vejo um certo relaxamento no cumprimento delas em voos nacionais, mas já reparei que fora dos voos internos nos EUA, isto está bastante desrespeitado, principalmente em Low Cost na Europa.

    Boa viagem Rodrigo!!

  2. Compartilho da sua visão que já passou o tempo de uma campanha educativa desse tipo. Outro dia pousando em Congonhas, um passageiro tirou o cinto de segurança e já foi se levantando antes sequer da aeronave ter parado completamente, ao mesmo tempo que já ligava para um amigo ir buscar ele no aeroporto e ia tentando abrir os compartimentos de bagagem para pegar a mala. Exatamente como você vê as pessoas fazendo em um ônibus de viagem quando está chegando na rodoviária… Ao telefone para o amigo ele estava comentando que “voar de avião não dava tanto medo” e pedindo para o amigo se apressar para buscá-lo que ele já estava saindo (com o avião andando, só se fosse forçando a saída de emergência)….

  3. Magno Vieira disse:

    Caramba, Fernando, você descreveu exatamente o que aconteceu em um voo que peguei de Porto Alegre para Congonhas semana passada. Mal a aeronave pousou, já havia pessoas se levantando, ligando os celulares e efetuando telefonemas, ignorando completamente os avisos dos comissários para respeitarem as regras. Aliás tenho notado (e costumo viajar frequentemente) que cada vez mais as pessoas ignoram as regras de segurança, como se não se aplicassem a elas. Pensei exatamente como você – precisamos de alguma campanha ou mesmo uma ação mais eficiente para evitar que os voos se tornem uma bagunça sem um mínimo de noção de respeito.

  4. Jorge disse:

    Fico pasmo em saber que vcs que voam frequentemente insistem em usar Congonhas, um aeroporto inseguro e que espera a qqer momento uma nova tragédia como a do Airbus da Tam. Sua unica vantagem é ser mais central que Guarulhos, no restante perde em tudo, inclusive no quesito mais importante: a segurança. Sua pista Lilliputiana, não dá a segurança devida para operações com aeronaves como Airbus A320 e Boeing 737-700/800 com carga máxima. Guarulhos tem milhões de problemas, mas tbém tem pistas enormes e muito mais seguras, por isto, sempre opto por ele. Posso até perder mais tempo no transfer até SP, mas com certeza chegando por GRU, chego inteiro.

  5. Fernando Lima Gama Junior disse:

    Concordo com o Rodrigo e com o Fernando: de fato muitos passageiros em aviões ultimamente não estão nem aí para regras de segurança. Eu tenho voado bastante nesse ano e em quase todos os voos tenho percebido um relaxamento muito grande nessa questão ao ponto de, certa vez, ter que solicitar à aeromoça para que pedisse ao passageiro à minha frente recolher a poltrona para a decolagem, já que o rapaz estava tranquilão lá esparramado. No entanto, eu não tenho a mesma certeza de que isso é decorrente dos novos passageiros que estão começando a voar agora e que não tem o “hábito” prestar atenção aos procedimentos de segurança ou se é falta de educação, pura e simples, de novos e antigos passageiros.

  6. Praticamente toda vez que vou para SP meus compromissos são na Zona Sul ou redondezas, o que, considerando o trânsito de SP, mais o fato de que na maioria das vezes faço bate-e-voltas, tornaria minhas viagens muito mais cansativas se tivesse que optar por GRU.

    Fora as restrições de horários que isso acabaria impondo nos compromissos. O último vôo de GRU para CWB sai as 20:05. O último vôo a partir de CGH sai as 20:39. Para chegar em CGH, da zona sul, uns 30 minutos em geral eu considero. Para chegar em GRU, 1h30 pelo menos. Mais o tempo de antecedência pedido… e para GRU eu já estaria arriscando terminando os compromissos as 17:00, enquanto CGH dá para ter uma reunião até as 19:00… Sem contar chegar as 09:05, no pico do trânsito de SP, até me deslocar de GRU até a zona sul, qualquer compromisso teria que começar as 11:00 pelo menos. Dia útil: 11:00 às 17:00 (6 horas). Por CGH, praticamente das 10:00 as 19:00 (9 horas).

    Acabo indo para GRU só quando tenho alguma viagem internacional, ou quando estou com minha esposa (pois ela tem pavor de pousar em CGH…)

  7. RABUGENTO disse:

    Boa viagem Rodrigo!

    Não sei qual é a sua altura mas fazer viagens longas no reboque, mesmo do A330 da TAM, precisa estar com muito boa vontade. 😉

    Quem tem mais de 1,75 sofre muito e, qualquer pessoa com qualquer altura tem problemas sérios se o passageiro do banco da frente reclinar a poltrona tudo que ela permite > ficará preso.

    Aguardaremos ansiosos todos os seus relatos.

  8. Gabriel Dias disse:

    No Terminal 1 realmente não há mais nada. Tudo fechou e só as salas vips sobrevivem. A opção é ficar no Duty Free Dufry ou nelas.
    Isso sem falar no estacionamento, que está com problema há anos.

  9. José disse:

    Podem me chamar de elitista ou algo do gênero, mas creio que a pior coisa que está acontecendo no mercado aéreo nacional é essa famigerada “inclusão aérea”. Este mercado não tem estrutura nem para seu público habitual, quanto mais para esse novo público mal informado, e mal educado para voar.
    Evidentemente que existem casos como os relatados nos comentários no exterior, já presenciei, nos EUA, um avião ineteiro vair um passageiro e o comandante ameaçar parar o avião até que o passageiro se sentesse(!), mas aqui isso acontece com uma frequencia inaceitavél.
    Creio que seja uma questão cultural, a nova classe média que começa voar agora não evoluiu culturalmente no mesmo ritmo que evoluiu economicamente, pois aqui não há incentivos para isso, na verdade penso que ocorre o inverso, há um nivelamento por baixo.

  10. RABUGENTO disse:

    Calculando bem o tempo para não se cansar, dá bem para caminhar pelo Free Shopping e até fazer novas reservas para o retorno se for do interesse do passageiro que não tenha acesso a alguma das salas VIPs.

    Quanto ao estacionamento de Cumbica não posso dizer nada porque há anos não o utilizo.

    Atualmente há muitos estacionamentos na região que com maior espaço entre as vagas levam e trazem os passageiros em vans ou ônibus e ainda ate ajudam a carregar as malas.

    Até o Caesar Business Hotel tem estacionamento mesmo para quem não é hóspede e tem o ônibus para transporte dos passageiros.

    Pena que no aeroporto do Galeão não há essa facilidade e temos que, desde 01/10, pagar R$ 50,00 de diária no estacionamento.

  11. Nossa aquela região é decadente. Dias desses passei por ali em direção a sala da AMEX e vi de tudo um pouco, prefiro as rodoviárias do Paraná.

  12. Temos duas situações lamentáveis:

    1) A ineficiência do governo e a sua Infrazero,
    2) E a nova classe de consumidores emergentes que pensam que só pelo fato de poderem pagar uma passagem tem o direito de esculhambar tudo.

  13. Jorge disse:

    Fernando Rosa
    Devido ao grande aumento de voos pelo Brasil, as cias aéreas criaram mais voos de Gru para CWB. O que torna suas informações bastante defasadas. Os últimos voos de Guarulhos para Curitiba são : Gol 1566 que parte às 22:10 e Tam 3335 que parte às 22:30hs. Muitas das vitimas com o Airbus da Tam tbém não tinham tempo a perder. Sua esposa está coberta de razão, Congonhas não tem segurança alguma. Se vivêssemos num país de primeiro mundo e com um governo sério, Congonhas com certeza não teria metade do movimento que tem hoje, e não operaria com aeronvaes com mais de 100 acentos. Boa sorte.

  14. Jorge disse:

    Rodrigo
    Nem a Tam e nem a Lufthansa operam Rio-Frankfurt diariamente como vc informou acima.

  15. Tem razão… depois que postei a mensagem lembrei que vim de GRU na sexta-feira no vôo das 22:35 da Tam, e que tem um da Tam que sai umas 6 e pouco da manhã e de CWB. Mas aí um dia que já é longo e cansativo se torna ainda mais longo e cansativo.

    De fato é um risco Congonhas. Um colega meu me contou de outro dia que estava pousando lá e viu um vulto enorme passar a uns 20m de distância do avião dele (provavelmente era outro avião), numa quase colisão. O volume de tráfego ali é enorme.

    O fato é que a maioria dos aeroportos brasileiros estão sobrecarregados. Você visita qualquer país com 1/20 avos da economia brasileira e o aeroporto deles dá de 0 a 10 em qualquer aeroporto nosso.

    É o famoso custo Brasil… pagamos mais caro que em qualquer lugar do mundo e temos um produto inferior.

  16. LUIZ FILIPE LISKA disse:

    OI RABUGENTO FOFO, NESTA HORAS DE APERTO TEM Q TOMAR TODAS E VIAJAR BEM ATRAS PRA FICA NA TURMA DA COZINHA, VOLTEI DE IBERIA EM AGOSTO DE PARIS E NOSSA GALERA TOMOU CONTA DA COZINHA, BEJO DO FOFOOOO.

  17. LUIZ FILIPE LISKA disse:

    OI FOFOSS, TO INDO PRA SANTIAGO DIA 24/12/2011 SE ALGUM FOFO QUISER ENCOMENDAR ALGUMA MUANBA, EU TRAGO, VO FAZE SANTIAGO,MENDOZA,BUENOS AIRES E PORTO ALEGRE, E PASSO FUNDO PRA CÁ!!!!!!!BEJO DO FOFOOOOOO

  18. Você não vai por acaso ao Festival das Nozes em Pelotas?

  19. Beto disse:

    Oi Luiz sera um belo passeio! regiao das cordilheiras e bem linda divirta-se.

    Abs

    Beto B.

  20. Beto disse:

    Rodrigo bom dia,

    Lendo seu relato inicial me da pavor e me fez lembrar um desembarque meu em Joanesburgo em dez/2007, foi pavororoso, o aeroporto em obras para a copa e a zona que era, nada funcionando, em 4 conexoes me perderam as malas 3 delas, chuva dentro do terminal, filas pra tudo! Um festival de horrores.

    Espero que esqueca esse inicio lastimavel e aproveite sua trip!

    Aguardamos os relatos.

    Abs e boa trip.

    Beto B.

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