GOL Comprando Webjet. Mais um Triste Retrocesso no Nosso Mercado. Eu Quero é Concorrência e Não Concentração!

8 de julho de 2011 | Por | 40 Comentários More

Nada contra a Gol especificamente e nada a favor da Webjet, mas ver a Gol e Webjet sobre o mesmo teto de um lado e do outro Tam e Trip leva por água a abaixo todo o processo de concorrência no mercado nacional.

A Gol comprou a Varig para retirar um concorrente do mercado. Negou, mas a marca Varig anda esquecida pela empresa esperando o consumidor saudosista esquecer também.

A Tam comprou a Pantanal falando em reforçar aviação regional e a Pantanal vai parar de voar regionalmente e é claro, a marca vai ser esquecida no futuro. O negócio valeu pelos slots a mais em Congonhas.

A Tam está em entendimento para compra de uma boa fatia da Trip. Uma cia aérea regional que tem boas opções de vôos e que ajuda contrabalançar a presença da Gol e Tam em alguns mercados e serve outros mercados esquecidos pelas duas poderosas. Será que a Trip no futuro vai seguir a mesma sina da Pantanal?

Gol compra uma cia aérea que hoje a enfrenta em preço e  que  assim ajuda a regular o mercado.  Sem ela, o controle do mercado é muito mais fácil pelas grandes.

A Azul, que já foi mais agressiva e também é candidata a ser adquirida no futuro (todas as cias nacionais estão à venda), sozinha não consegue fazer uma concorrência eficiente e deve estar se preparando para a ofensiva Tam/Trip no seu mercado.

A Avianca, por melhor que seja sua atual proposta, cresce lentamente tentando consolidar seu espaço e não tem poder de enfrentar as duas grandes.

No momento em que devemos reduzir a concentração de vôos nas mãos de poucos, criando um ambiente que permita a concorrência que gera melhor eficiência e regulação de preços, vemos o contrário ocorrer.

Já vimos o impacto nacional gerado no passado por problemas pontuais (proibição de vôos por manutenções vencidas ou greves de funcionários, por exemplo) nas operações da Gol e da Tam.  Já vimos como o Brasil sofreu com os problemas da Varig, antiga dona do pedaço. A concentração, no Brasil, demonstrou o quanto ela coloca o sistema em risco.

É claro que as operações das cias aéreas nacionais devem ser lucrativas e que talvez algumas delas estejam mais à venda do que outras porque tem tido dificuldade em realizar os lucros esperados, mas eu me nego a acreditar que o mercado de aviação no Brasil não seja lucrativo.

Se o capital nacional não tem expertise para gerenciar mais cias aéreas, chegou o momento de abrir esse mercado ao capital estrangeiro que traga idéias e propostas novas. Não perderemos a soberania dos ares por causa disso.

No caso Gol/Webjet não dá nem para justificar que vão aumentar o uso de produtos brasileiros, como está sendo justificada essa vergonhosa proposta de concentração no setor de supermercados,  já que nenhuma faz uso de jatos da Embraer…

A concentração hoje só favorece a poucos empresários e a políticos que mantém relações espúrias com eles. A nós consumidores resta apenas rezar para que o CADE analise a situação sem interferência econômica ou política.

Tags: , ,

Category: Cias Aéreas

Comentários (40)

Trackback URL | Comments RSS Feed

  1. Mari Campos disse:

    Triste notícia mesmo. Futuro bem cinza à nossa frente, nesse sentido.

  2. Aline disse:

    estava com esperanças que a webjet expandisse, justamente pq as cias TAM e GOL precisam urgentemente de concorrência para benefício dos passageiros $ – mas ao que parece, vai ser engolida! Triste mesmo

  3. Guilherme disse:

    Concordo plenamente contigo, Rodrigo. Discorreu muito bem sobre o tema, parabens. Tomara que alguem la de cima leia o post e tome uma atitude correta, esquecendo um pouco o proprio bolso (ta rolando muita grana por ai…)

  4. Triste notícia! Em algumas rotas, como CWB-GRU, CWB-GIG, era claro como a Gol e a Tam tinham que baixar tarifas as vezes para se contrapor aos preços bem competitivos da Webjet. Por mais que eu tenha uma certa preferência pela Gol, um duo-pólio é extremamente nocivo para os consumidores. Só vamos ver os preços subindo e a qualidade dos serviços piorando! Tomara realmente que o CADE analise isso de maneira independente.

  5. Emilio disse:

    Uma triste notícia. Tomara que as companhias estrangeiras possam entrar neste mercado duopolista.
    Sobre a sua pergunta “Será que a Trip no futuro vai seguir a mesma sina da Pantanal?” : acho muito provável. Espero que o tempo diga que eu errei.

    Abraços

  6. Beto disse:

    Lamentavel Rodrigo, só isso a declarar!!

    Boa noite

    Beto B.

  7. gabriel disse:

    concordo em numero gênero e grau com o post. Só faltou ver o lado positivo da concentração de mercado: ajuda a desafogar os aeroportos, já que subindo as passagens menas pessoas irão voar, optando, se possível, a viajar de carro ou mesmo de ônibus. Ah, que droga, os ônibus também são dos constantinos, os mesmos da gol. Triste realidade brasileira. É rir pra não chorar.

  8. Lu Malheiros disse:

    Rodrigo,
    Dessa vez, lamento ter que concordar com você: foi uma péssima e vergonhosa notícia! 🙁

  9. Helder victoretti disse:

    Tinha esperanças de ver a Webjet sendo comprada pela Ryanair!
    Na Europa voa é algo tão banal como usar onibus…uma empresa como a ryanair levaria os serviços a uma camada maior da sociedade brasileira, aumentaria e expandiria o turismo no País, consequentemente forçaria novos investimentos em infraestrutura e e geraria mais empregos…
    Mas enfim nós pobres brasileiros continuaremos viajando uma vez no ano pra pagar em 10 / 12 ou até 36 vezes uma passagem.

  10. Carlos disse:

    A concentração de empresas é sempre lamentável.

    Como é lamentável que empresas brasileiras não usem os excelentes jatos da Embraer em percursos para poucos passageiros.
    .

  11. Essa notícia vem justamente quando a Webjet estava em primeiro lugar na pontualidade. Voei com eles recentemente, foi uma ótima alternativa para chegar em Navegantes sem conexões em Congonhas. Se pegarmos como exemplo o que ocorreu com a Pantanal estamos em maus lençóis. Em relação aquela sondagem da Webjet pela Ryanair creio que a cia. irlandesa enlouqueceria com esse esquema e famoso jeitinho brasileiro de administrar a estrutura aeroportuária. Não sei o que é pior o duopólio ou a estrutura dos aeroportos.

  12. Pois é. Pior do que tá só se o governo estatizar a Tam e a Gol e criar a AeroBrasil 😀 Lembra da época do sistema telebras? Uma linha de telefone custava 7000 mil reais.

  13. Lamentável! A concentração pode realmente beneficiar tanto Gol quanto Tam, mas certamente prejudicará os passageiros!

  14. Marcos Valença disse:

    Fernando H. Rosa:

    Acho que deve ser dito que, na época da Telebras, o telefone custava muito, mas o comprador se tornava acionista da empresa. Creio que você, como minha família, recebeu o valor pela venda das ações anos depois.

    Além disso, não vivemos num paraíso, nossa telefonia é uma das mais caras do mundo. Compare com os preços americanos, por exemplo. A qualidade do atendimento ao consumidor é péssima. E note que temos um ótimo Código de Defesa do Consumidor. A nossa conecção a Internet também é caríssima em comparação e de velocidade instável.

    Você, por um acaso, acha que a privatização dos aeroportos vai baixar preços? Claro que não. Na melhor das hipóteses vai ficar como na Europa, onde na maioria das vezes, as passagens promocionais são muitas vezes menores que as taxas de embarque.

    Cordialmente,
    Marcos Valença.

  15. Marcos Valença disse:

    Rodrigo:

    Excelente reflexão a sua. Podemos mandar e-mails e fazer telefonemas à Presidente, e membros do congresso, para que eles pressionem os órgãos reguladores brasileiros, como o CADE.

    É umas das coisas proativas que podem ser feitas, já que o CADE, muitas vezes, é facilmente dobrado pelo capital. Prova disso foi permitir a compra da DirecTV pela Sky. A Sky passou a taxa de assistência técnica, cobrada mensalmente, de uns R$ 3,00 para R$ 10,00! Usando os mesmos prestadores de serviço que, certamente, não receberam aumento pelos serviços prestados.

    As instituições no Brasil ainda são um tanto frágeis e o interesse pessoal, quase sempre, subjulga o interesse público.

    Cordialmente,
    Marcos Valença.

  16. Pois é, o exemplo da estatização foi só uma comparação por absurdo. Em termos de telefonia o estado atual pode não ser essas coisas, mas melhorou bastante desde a privatização.

    Gosto muito de uma frase do Rodrigo que diz que algo não é necessariamente ruim por ser administrado pelo governo, nem muito menos necessariamente bom por ser administrado pela iniciativa privada. O que faz a diferença é uma boa gestão, que pode ser tanto feita por um quanto por outro, ou em um modelo misto.

    Já vi muito projeto da iniciativa privada administrado de maneira igual ou pior ao administrado pela esfera pública, a diferença é que geralmente uma empresa que fizer muita besteira vai eventualmente a falência. No caso do estado ele não quebra, e faz todos pagarem a conta através dos impostos.

    Como outro comentário aqui disse, nos resta protestar para fazer com que CADE se mexa.

  17. Mais uma vez os passageiros pagam o pato!

  18. Denis disse:

    Rodrigo,
    concordo contigo que é péssimo negócio para o consumidor esta compra. Mas discordo totalmente dos teus argumentos, conforme abaixo:
    – A Avianca não tem poder de enfrentar o “duopólio”: se a Webjet tinha este poder, por que a Avianca não tem? Ela pode não conseguir mudar os rumos do mercado, mas pode incomodar sim.
    – Os brasileiros não tem expertise para gerenciar uma empresa aérea de maneira lucrativa e portanto devemos abrir a oportunidade de empresas estrangeiras entrarem no nosso mercado: primeiro, se abrirmos esta possibilidade, teremos a oficialização da compra da TAM pela Lan, a compra da Gol por alguma empresa estrangeira, a fusão da Azul com seja qual for a empresa que o Neeleman possui nos EUA, e uma ou outra empresa que vai entrar só no filé: a ponte Rio-SP. E isso beneficia o consumidor brasileiro como?
    O problema é que o mercado brasileiro não permite que 3 ou 4 empresas tenham tamanho e escala suficientes para baterem de frente umas com as outras pelo mercado principal e eventualmente alguma vai sucumbir. Como mudar este cenário? Aumentando a infra-estrutura aérea, para que seja possível aumentar o número de vôos nas principais cidades e aumentando a renda média da populção. Não parece uma tarefa muito fácil ou que vá ser resolvida nos próximos 5 anos, embora o cenário já seja bem mais animador (em relação à renda, não à infra-estrutura).
    O que resta aos consumidores? Protestar junto ao CADE, para que pelo menos tenhamos uma concorrência um pouquinho mais acirrada, que a Webjet continue sendo uma empresa de nicho que consiga incomodar um pouquinho a Gol e a TAM.
    Abraço,
    Denis

  19. Marcos Valença disse:

    Caro Fernando:

    “Gosto muito de uma frase do Rodrigo que diz que algo não é necessariamente ruim por ser administrado pelo governo, nem muito menos necessariamente bom por ser administrado pela iniciativa privada. O que faz a diferença é uma boa gestão, que pode ser tanto feita por um quanto por outro, ou em um modelo misto.”

    Nisso eu concordo com vocês dois.

    O que me irrita mesmo são privatizações à preço de banana, como as feitas por FHC e privatizações com regulamentação futura débil e permissiva. Explico: Ao vender, o governo tem de impor regras, metas e punições fortíssimas para que as empresas privadas funcionem a favor do consumidor. Sem isso, os empreendedores nos fazem de bolinha.

    As agências reguladoras tem de ser mais fortes, independentes e técnicas. Nada de política. Não é bem o que acontece com nossas frágeis agências hoje em dia.

  20. Marcos Valença disse:

    Denis:

    Quanto a “O problema é que o mercado brasileiro não permite que 3 ou 4 empresas tenham tamanho e escala suficientes para baterem de frente umas com as outras pelo mercado principal e eventualmente alguma vai sucumbir.”

    Não estou tão certo. Acho que na época da Transbrasil, Vasp, Cruzeiro, Varig etc. as coisas eram mais bem divididas. Alguém tem dados que verifiquem isso?

    O Brasil é um páis continental. Se micro-países no mundo podem ter mais de uma companhia aérea, nós também podemos. Quantas estrangeiras voam para cá? Muitas.

Deixe um comentário

Os comentários publicados aqui são de exclusiva e integral responsabilidade de seus autores. Comentários que julgarmos conter termos chulos, que não respeitem a opinião dos demais, que tratem de problemas comerciais individuais com terceiros, que promovam o comércio de milhas, que tragam termos preconceituosos, que sejam identificados como textos publicitários ou que visem apenas denegrir a imagem de terceiros serão moderados e/ou excluídos. Comentários sem identificação clara de seu autor (nome e/ou email válido) também poderão ser excluídos.